Eleição na Alemanha: AfD pode se tornar primeira legenda de extrema direita a governar um estado no país desde 1945

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Os eleitores do estado da Saxônia-Anhalt, na Alemanha Oriental, podem dar a vitória neste domingo a um partido de extrema direita. Uma realidade que, segundo a comissária do governo federal para o leste do país, Elisabeth Kaiser, é explicada por disparidades persistentes com a parte ocidental do país quase 40 anos após a reunificação. O GLOBO no Mundo: receba as notícias internacionais direto no seu celular Quer morar fora? Ferramenta do GLOBO reúne informações sobre custo e qualidade de vida, salários, vistos e oportunidades de 36 países Se o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistar a maioria absoluta das cadeiras, fará história como a primeira legenda de extrema direita a governar um estado alemão desde 1945. Segundo Kaiser, deputada e natural da Turíngia, a identidade política das antigas regiões comunistas continua sendo um fator distintivo. Elisabeth Kaiser, secretária de Estado e comissária do Governo Federal para a Alemanha Oriental no Ministério Federal das Finanças em seu gabinete, em Berlim JOHN MACDOUGALL/AFP Disparidades econômicas Desde a reunificação, em 1990, os esforços para recuperar a economia devastada do leste deram resultados: os investimentos aumentaram e o desemprego está muito abaixo do pico registrado na década de 1990. Ainda assim, os sucessivos governos "não conseguiram superar as grandes disparidades de riqueza, que se devem, em particular, a questões de herança", reconhece Kaiser. Morar na Alemanha: veja salários, custo de vida e o cartão que deixa o brasileiro procurar emprego por um ano no país Parte da população, marcada pela estagnação econômica e pelas privatizações forçadas após a reunificação, passou a associar "a mudança a experiências negativas". O êxodo em massa das décadas de 1990 e 2000 também alimentou entre os que permaneceram a sensação de serem "desfavorecidos e invisíveis". Nesse contexto, a AfD promove um discurso revanchista. 'Forte racismo' O fechamento das fronteiras é uma das principais bandeiras do partido e encontra forte receptividade no leste. Embora a proporção de moradores de origem imigrante seja muito menor do que no resto do país, o contato com estrangeiros também foi historicamente mais limitado. Enquanto trabalhadores estrangeiros contribuíram para o "milagre econômico" da Alemanha Ocidental no pós-guerra, aqueles que chegavam de outros países socialistas à Alemanha Oriental "eram mantidos, em grande medida, fisicamente separados dos alemães orientais", explica Kaiser. Dia de eleição: extrema direita pode vencer em estado alemão pela 1ª vez desde a Segunda Guerra, e autoridades estudam como limitar seu poder A Alemanha Oriental "não era uma sociedade de imigração" e nela prevalecia um "forte racismo", apesar do discurso oficial de amizade entre os povos, acrescenta. A imigração ainda é vista com desconfiança, embora seja essencial para a economia e os serviços públicos.

— Um em cada cinco médicos em Saxônia-Anhalt é imigrante ou de origem imigrante — afirma Kaiser. Idealização do passado comunista Kaiser também alerta contra a idealização do passado comunista. "Em tempos de crise, as pessoas se lembram dos aspectos positivos de seu passado", afirma, referindo-se ao sentimento conhecido como "Ostalgie", ou "nostalgia do leste". Um dos símbolos da antiga Alemanha Oriental é a motocicleta Simson, usada na campanha por Ulrich Siegmund, principal candidato da AfD na Saxônia-Anhalt. — Essa motocicleta representava a liberdade porque permitia se deslocar — lembra Kaiser. Eleitores mais velhos, por sua vez, associam o regime comunista à segurança, outra bandeira da AfD, esquecendo muitas vezes que "isso acontecia porque tudo era controlado e vigiado", ressalta. Na política externa, a AfD defende uma aproximação com a Rússia, apesar da invasão da Ucrânia e dos ataques em território alemão atribuídos a Moscou. A posição também encontra receptividade no leste, onde, segundo Kaiser, existe um "antiamericanismo acentuado". Avanços consideráveis da AfD Para Kaiser, porém, as diferenças entre leste e oeste não devem provocar uma ruptura. Ela considera "desastrosa" a ideia, cada vez mais presente nas regiões mais ricas do oeste, de deixar de subsidiar o leste. O partido conservador do chanceler Friedrich Merz pede regularmente o fim do "Soli", uma sobretaxa criada em 1991 para reduzir as disparidades entre as duas regiões. Segundo Kaiser, cortar esses recursos "daria credibilidade à postura de vítima que a AfD gosta de adotar". O avanço do partido deveria servir como um "sismógrafo" para o restante da Alemanha, acrescenta. Embora a AfD ainda esteja longe de governar um estado no oeste, seus avanços eleitorais nessa região também são consideráveis.

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