Eleição empatada na reta final revela um Brasil dividido

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Nas próximas horas, o Brasil decide seu futuro. A escolha vai além dos nomes.

O segundo turno põe em disputa dois projetos de país que praticamente não dialogam. A polarização pode ficar em segundo plano: o que está em jogo são os rumos da nação e o impacto deles na vida de cada brasileiro.

A pesquisa Futura divulgada na véspera da votação mostra Flávio Bolsonaro com 50,1% dos votos válidos e Lula com 49,9%. A diferença de 0,2 ponto percentual está muito abaixo da margem de erro, de 2,2 pontos.

É empate técnico. No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de 1,87 ponto percentual, ou cerca de 2,2 milhões de votos.

A pesquisa aponta uma disputa apertada, mas não antecipa o resultado das urnas. A diferença começa pelo papel do Estado.

O projeto de Flávio propõe reduzir a máquina pública, cortar despesas e impostos e estimular o empreendedorismo. Ele também reafirmou o compromisso de manter programas sociais, com ênfase na capacitação e na entrada dos beneficiários no mercado de trabalho.

A diferença não está no discurso de cada candidato sobre economia, mas em como cada um imagina que o país deve crescer e quem deve conduzir esse processo. Lula, por sua vez, defende manter e ampliar políticas de proteção social, valorizar o salário mínimo e fortalecer os serviços públicos.

Na economia, aposta em investimentos em infraestrutura e indústria, com o Estado como indutor do crescimento. Não é apenas um projeto de transferência de renda: o plano também prevê desenvolvimento tecnológico e transição energética.

No entanto, não consegue explicar como um país com 82% de dívida pública irá arcar com essa conta. Lula defende a coordenação entre União, estados e municípios.

Seu plano prevê investimento em inteligência, prevenção e ações para enfraquecer financeiramente o crime organizado. Durante a campanha, quando questionado sobre os indicadores de segurança, Lula chamou os governadores à responsabilidade.

A cobrança também recai sobre governos estaduais: entre os dez estados com maiores taxas de mortes violentas intencionais em 2025, três eram governados pelo PT, e outros por partidos que integram a base aliada do Planalto. Flávio aposta em medidas mais duras, como reduzir a maioridade penal, ampliar presídios e classificar facções como organizações narcoterroristas.

Embora seu plano fale em integração das forças de segurança, não detalha como essa articulação se conectaria a outras áreas do governo ou a políticas sociais. Flávio propõe limitar decisões monocráticas e aprovar no Congresso mudanças nas regras de funcionamento do Supremo.

O impeachment de ministros, sobretudo de Alexandre de Moraes, também se tornou uma bandeira de seus apoiadores. Para o advogado Diego Tavares, porém, A dinâmica com a Suprema Corte será pautada pelas ameaças a ministros:

“Quanto mais o cerco se fechar no Parlamento, menor a janela para barganha.” O plano de Lula defende diálogo entre os Poderes, respeito à autonomia de cada um e “independência, harmonia e cooperação”.

Também critica o peso das emendas parlamentares na relação entre Executivo e Legislativo. Não apresenta, porém, propostas específicas para mudar o funcionamento do STF.

Lula é próximo dos ministros do Supremo que estiveram no centro das principais polêmicas, entre eles Moraes. Já nos bastidores, há quem avalie que Flávio não levará adiante a proposta de impeachment.

“A população se frustrará, pois Flávio não irá liderar projeto de impeachment de nenhum ministro do STF”, afirma o administrador público Arilton Ribeiro.

As campanhas também levaram essa disputa às ruas e às redes. O PT mobilizou sua militância com um discurso de defesa da democracia e de combate ao fascismo.

O “Bloquinho do 22”, de Flávio Bolsonaro, percorreu capitais defendendo liberdade religiosa, família, desenvolvimento econômico e críticas ao Supremo. A mobilização mostra a energia de cada lado.

As manifestações de rua foram marcas da campanha de 2026Vídeo: Reprodução instagram @nikolasferreiraadm O número não revela quantos eleitores mudarão de voto, mas conquistar a maioria entre os 33 milhões de abstencionistas e os 9,3 milhões que votaram na terceira via, numa disputa com diferença inferior a 2,3 milhões de votos, é um grande feito

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