Eleição do Brasil é destaque nos principais jornais internacionais

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Fonte da notícia: Valor Valor

A imprensa internacional repercutiu neste domingo (25) a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após uma virada sobre seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL). Os principais jornais estrangeiros destacaram tanto o encerramento “caótico” da votação no segundo turno quanto o revés que a vitória do petista representa para os planos do presidente americano, Donald Trump, de consolidar um bloco de governos conservadores alinhados a Washington na América Latina.

Esse impacto regional foi um dos principais pontos ressaltados pelo jornal americano The New York Times, que classificou a vitória de Lula como uma derrota para o “movimento conservador que vem conquistando presidências na América Latina e que tem sido exaltado pelo presidente americano, Donald Trump”.

O jornal também mencionou a prorrogação da votação em todo o Brasil por duas horas, em meio a problemas no transporte público e às fortes chuvas em algumas regiões do país. Segundo o New York Times, a medida provocou um “encerramento caótico da votação” e “levantou a possibilidade de uma contestação do resultado”.

“A vitória de Lula interrompeu uma sequência de sete vitórias consecutivas de líderes de direita na região nos últimos 18 meses e sugeriu que as forças de esquerda da América Latina ainda exercem alguma influência, apesar das derrotas”, acrescentou o NYT. Na mesma linha, o Washington Post classificou a vitória de Lula como um revés para Trump, que, segundo o jornal, “tem buscado construir um bloco conservador alinhado aos Estados Unidos na América Latina, com Argentina, Colômbia e outros países”.

O Post ressaltou, por outro lado, que Lula iniciará seu novo mandato à frente de um país profundamente polarizado, onde os eleitores demonstram insatisfação com o governo, apesar da melhora dos indicadores econômicos. O britânico Financial Times destacou que a vitória de Lula contrariou as previsões de diversas pesquisas eleitorais, que apontavam uma ligeira vantagem para Flávio Bolsonaro após o senador vencer o primeiro turno por quase dois pontos percentuais.

"A vitória de Lula contra todas as expectativas consolida sua posição como um dos estadistas mais importantes da história moderna do Brasil, após meio século de vida pública", disse. O FT ainda lembrou que um problema para Lula é a dívida pública brasileira, considerada elevada por especialistas para uma economia em desenvolvimento.

"Além do ceticismo dos investidores, Lula enfrentará um Congresso hostil, depois que forças conservadoras, lideradas pelo Partido Liberal de Bolsonaro, conquistaram avanços expressivos nas eleições legislativas deste mês. Analistas afirmam que isso tornará mais difícil governar", alertou a publicação.

O The Wall Street Journal ressaltou que, para muitos brasileiros, a eleição representava mais do que a permanência de Lula no poder. “Eles viam o voto nele como um voto para manter os Bolsonaro fora do poder e preservar a democracia duramente conquistada pelo país”, escreveu.

O jornal também observou que, 25 anos após conquistar a Presidência pela primeira vez, Lula se tornou um dos últimos grandes representantes da esquerda sul-americana, que acumula derrotas em meio ao avanço da direita na região. Já o jornal argentino Clarín destacou o caráter dramático da disputa, marcada por uma apuração acirrada e pela prorrogação do horário de votação.

A publicação também chamou a atenção para a redução dos votos em branco e para a participação de cerca de três milhões de novos eleitores no segundo turno, que podem ter favorecido o petista. O Clarín ressaltou ainda os desafios políticos que Lula deverá enfrentar em seu novo mandato, especialmente diante do fortalecimento do PL no Congresso.

Segundo o jornal, a legenda ligada à família Bolsonaro ampliou significativamente sua representação parlamentar, o que tende a aumentar a importância das negociações com os partidos do Centrão para garantir a governabilidade. O também argentino La Nación afirmou que o Brasil, maior economia da América Latina, permanece “à margem da onda de governos alinhados ao presidente americano, Donald Trump, que se consolidou na região”.

O jornal destacou que Lula fez da defesa da soberania nacional um dos eixos de sua campanha e apresentou a eleição como uma escolha entre um país autônomo e outro subordinado a Washington. “Com a vitória do petista, a relação entre Buenos Aires e Brasília, os dois principais parceiros do Mercosul, entra em um cenário de incerteza, com um país vizinho que apostou abertamente na derrota do presidente reeleito”, escreveu o La Nación, em referência ao governo argentino de Javier Milei, forte aliado dos Bolsonaro.

O britânico The Guardian, por sua vez, lembrou que Lula completará 81 anos na terça-feira e afirmou que sua quarta vitória presidencial representa “um capítulo final extraordinário de uma trajetória política marcante, que começou quando ele despontou como líder sindical nos subúrbios industriais de São Paulo, no fim da década de 1970”.

O jornal também destacou a recuperação política do petista após a derrota apertada para Flávio Bolsonaro no primeiro turno, no início de outubro, resultado que colocou seu futuro político em dúvida e, conforme o veículo, mergulhou os brasileiros progressistas em “três semanas de desespero”.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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