A disputa presidencial entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à reta final em aberto e deve ser definida por uma parcela de 7% dos eleitores, ainda dispostos a mudar de voto. Nessa pequena fatia do eleitorado, cortejada por Flávio e Lula, estão mulheres, jovens e pessoas com menor renda e escolaridade mais baixa. O apoio popular nas ruas e o desempenho dos dois candidatos nos debates previstos pela Band e Globo tendem a ser fundamentais na escolha de quem ainda não tem certeza do voto no segundo turno (25). A avaliação é da diretora do Datafolha, Luciana Chong, com mais de 30 anos de experiência em um dos principais institutos de pesquisa do país. Em entrevista ao Valor, Chong diz que o resultado das urnas será apertado e está totalmente indefinido. O empate registrado por Flávio e Lula na pesquisa mais recente do instituto, divulgada na quinta-feira (15), reforça essa avaliação. O senador tem 47% das intenções de votos totais e o presidente, 45%, empatados dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Em uma semana, a diferença entre os dois candidatos caiu de quatro para dois pontos percentuais. Nesse período, depois da onda de manifestações pró-Lula, o presidente cresceu sete pontos percentuais entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, e retomou o patamar de apoio que tinha nessa fatia do eleitorado em 2022. Em contrapartida, Flávio perdeu sete pontos nesse grupo. Esse eleitor, no entanto, é volátil e, sem a mobilização nas ruas e nas redes sociais, poderá mudar de lado ou não votar, diz Chong. “Os 7% [dos eleitores] que ainda podem mudar [o voto] são quem vão decidir a eleição. Porque é muito difícil ter uma migração do Lula para o Flávio ou do Flávio para o Lula”, diz. Desse pequeno grupo, 57% são mulheres, 57% ganham até dois salários mínimos, 56% não rejeitam nenhum dos dois candidatos, e 52% são não alinhados a nenhum dos postulantes.
A diretora do Datafolha afirma que a polarização no país tem sido uma “trava” para a avaliação positiva e aprovação do governo. O presidente, que saiu do segundo mandato com mais de 80% de aprovação, não chegou nem à metade desse percentual ao longo de seu terceiro mandato. Mesmo com dezenas de ações do governo, a conquista de indicadores macroeconômicos positivos como o recorde do desemprego e um “ pacote de bondades” anunciado no período eleitoral, com medidas como anistia das dívidas de microempresários, reajuste de 15% do Bolsa Família e até canetas emagrecedoras no SUS, 41% dos brasileiros consideram a gestão Lula como ruim ou péssima, 35% avaliam como ótima ou boa, 23% acham que é regular e 1% não respondeu, segundo o Datafolha. Chong, no entanto, diz que “verdades absolutas” que valiam no passado, como a avaliação de que quem tem reprovação maior do que aprovação não se reelege, “não existem mais”. “Considerando a polarização, é uma eleição em aberto. Não dá para afirmar que [Lula] não vai conseguir [se reeleger]. Os dois vão chegar muito empatados.” A diretora do Datafolha afirma que o fim da jornada 6x1, aprovada na quarta-feira (14) pelo Senado, ainda pode trazer um resultado positivo para o presidente e não foi “captado” pelas pesquisas. Afirma também que cada vez mais o eleitorado “esquece” das medidas anunciadas e que, por isso, o presidente acumulou tantas entregas e promessas na reta final da campanha. Para Chong, os anseios da população mudaram e o objetivo não é apenas ter comida na mesa, mas também o “luxo” exibido por influenciadores digitais. Luciana Chong, diretora do Datafolha Gabriel Reis/ Valor Ao falar sobre as perspectivas de crescimento de cada candidato, Chong diz que Lula ainda tem espaço para crescer no Nordeste e afirma que Flávio tem amplo apoio do eleitorado que trabalha informalmente — e que foi alvo de medidas anunciadas pelo governo federal nesta semana. No entanto, destaca que Flávio conseguiu avançar até mesmo no eleitorado cativo de Lula, que recebe o Bolsa Família. “O programa ainda é uma política muito importante, mas não tem aquele apelo que teve no passado. Ou talvez também as pessoas não tenham tanto medo de perder, já que foi mantido”, diz. Luciana Chong, diretora do Datafolha Gabriel Reis/ Valor
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