Ela criou uma startup que usa inteligência artificial para evitar quedas e ajudar as pessoas a envelhecer melhor

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

Todos os dias, Fabiana Almeida atendia pacientes que chegavam ao consultório depois de uma queda. Eram, na maioria, mulheres idosas que, de um momento para outro, perdiam autonomia, mobilidade e independência. Como fisioterapeuta especializada em ortopedia, traumatologia e biomecânica, ela sabia que recuperar completamente aqueles pacientes raramente era possível. Mais do que tratar uma fratura, era preciso lidar com uma mudança definitiva de vida. Foi dessa inquietação que nasceu a TechBalance, startup fundada há sete anos que desenvolveu uma plataforma baseada em inteligência artificial para identificar riscos de quedas, lesões e problemas musculoesqueléticos antes que eles aconteçam. "Eu achava muito triste ver pessoas que fizeram tanta coisa durante a vida inteira saindo de cena dessa forma. Quando chegavam aos 70 anos, muitas das decisões que impactaram a saúde já tinham sido tomadas décadas antes. E ninguém queria ser a pessoa que dava essa notícia", afirma. A situação também tinha um componente social. Segundo ela, muitas das pacientes eram mulheres que passaram décadas priorizando a família e deixando os próprios cuidados de saúde sempre para depois. "Elas cuidaram de todo mundo durante a vida e, no fim, a saúde delas ficou no final da fila." Da fisioterapia para o empreendedorismo Apesar de gostar da profissão, Fabiana sentia que apenas atender pacientes não resolveria o problema que a incomodava. Ela decidiu transformar uma ideia acadêmica em empresa. Durante a madrugada, conciliava o trabalho com pesquisa científica, iniciação científica, mestrado e o desenvolvimento da tecnologia que mais tarde daria origem à patente da startup. "Foi uma maluquice. Fiz praticamente tudo ao mesmo tempo." A decisão também tinha raízes familiares. "Minha família sempre empreendeu. Cresci vendo pessoas sem salário fixo e sem rotina. Quando comecei a empresa, percebi que aquele ambiente de desafios constantes fazia muito mais sentido para mim." O primeiro produto da TechBalance foi um diagnóstico digital. O funcionamento é simples para o usuário. Após baixar o aplicativo, a pessoa posiciona o celular nas mãos e reproduz uma sequência de movimentos guiados por vídeos. Enquanto os exercícios são executados, algoritmos de inteligência artificial utilizam técnicas de visão computacional e sensoriamento de pose para analisar equilíbrio, estabilidade, amplitude de movimento e diversos indicadores biomecânicos. Essas informações são combinadas com um questionário clínico e processadas pelo algoritmo da empresa, que gera um laudo digital indicando o nível de risco do paciente. "A IA interpreta dezenas de variáveis. Se durante um movimento o joelho perde estabilidade ou a pessoa apresenta muito balanço, por exemplo, isso entra na análise junto com outras informações clínicas." Inicialmente, a tecnologia foi criada para prever o risco de quedas em idosos. Depois, a empresa expandiu a plataforma para prevenção de lesões esportivas e problemas ortopédicos, criando uma segunda linha de produtos voltada também ao público mais jovem. Hoje, a plataforma não entrega apenas um diagnóstico. Dependendo da classificação de risco, o aplicativo monta automaticamente uma trilha personalizada de exercícios. Casos considerados de baixo risco recebem programas preventivos e pacientes classificados como risco moderado podem ser encaminhados para atendimento remoto com profissionais especializados. Já aqueles considerados de alto risco são direcionados para clínicas parceiras ou unidade própria da TechBalance. "O objetivo nunca foi apenas dizer que existe um problema, mas oferecer o caminho para resolvê-lo." Segundo Fabiana, mais de 55 mil pessoas já passaram pelas avaliações realizadas pela plataforma. Expansão O modelo de negócios começou mirando o mercado corporativo. A startup vende seus diagnósticos para empresas e operadoras de saúde que desejam oferecer programas preventivos aos colaboradores. A lógica, explica a fundadora, é semelhante à de campanhas de vacinação corporativa. Em vez de esperar o funcionário desenvolver um problema ortopédico, a empresa consegue identificar riscos antecipadamente e reduzir afastamentos e sinistros relacionados à saúde. Entre os clientes estão operadoras como Prevent Senior e Unimed Curitiba. Além do diagnóstico, a TechBalance vende protocolos completos de tratamento, que podem durar de dois a quatro meses e incluem fisioterapia, medicina esportiva, nutrição e outras especialidades. Mais recentemente, a empresa passou a atuar também diretamente com o consumidor final. A startup acaba de inaugurar sua primeira clínica própria em São Paulo, instalada dentro de um condomínio voltado ao público considerado “maduro”. O conceito é diferente das clínicas tradicionais de fisioterapia. A proposta é acompanhar indicadores ligados ao envelhecimento saudável, como força muscular, flexibilidade, agilidade, equilíbrio e capacidade de relacionamento, oferecendo programas contínuos de cuidado. Além das unidades próprias, a empresa também lançou um modelo de franquias para expandir o conceito para outras cidades por meio de médicos e clínicas credenciadas. Internacionalização A TechBalance recebeu R$ 1,8 milhão em investimento-anjo e mantém os fundadores como controladores da companhia, com participação superior a 68%. Segundo Fabiana, a empresa cresceu cerca de 40% em 2025 e atualmente registra expansão média de 9% ao mês, impulsionada pela entrada no mercado B2C e pelo lançamento do modelo de franquias. A startup também iniciou sua operação internacional com a abertura de uma unidade em Lisboa, onde realizou uma nova captação de recursos. Agora, o foco é transformar a prevenção em um novo modelo de cuidado para uma população que envelhece. "Nosso objetivo sempre foi fazer as pessoas perceberem cedo que pequenas decisões tomadas todos os dias podem mudar completamente a forma como elas chegam aos 70, 80 ou 90 anos." Mais Lidas

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