El Niño CosteiroObservatório da Terra da NASA/Lauren Dauphin Um aquecimento histórico no Oceano Pacífico fez as temperaturas do mar aumentarem no litoral do Peru e do Equador neste início de novembro, quebrando todos os recordes da história moderna e causando muitos temporais na região.
De acordo com dados divulgados pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), a temperatura da água na chamada região Niño 1+2 atingiu uma anomalia de +5,4 ºC pelo índice tradicional Índice Oceânico Niño Relativo (ONI). Se trata do primeiro registro moderno em que qualquer setor de monitoramento do Pacífico equatorial registra uma anomalia igual ou superior a +5 ºC.
Para se ter uma noção da dimensão histórica, durante o Super El Niño de 1982 á 1983 a maior marca semanal nessa mesma faixa litorânea havia sido de +4,2 ºC, enquanto no evento de 1997 á 1998 foi de +4,0 ºC e, em 2023 á 2024, de +3,4 ºC. Já pelo índice relativo RONI, que pondera o aquecimento geral do planeta, o valor atual igualou o recorde histórico absoluto de +4,6 ºC registrado em junho de 1983.
Diferença de El Niño Costeiro e El Niño Clássico A diferença fundamental entre o El Niño Costeiro e o El Niño Clássico está na localização e no alcance geográfico. O El Niño Costeiro é um evento local e concentrado, definido pelo aquecimento das águas perto da costa sul-americana, afetando o clima de países como o Peru, o Equador e, em certos casos, o Chile, sem alterar os padrões climáticos do restante do planeta.
Já o El Niño Clássico é um fenômeno de proporção global com dimensões maiores, definido pelo aquecimento anormal de uma faixa mais ampla no Pacífico Central e Leste, monitorada principalmente pela região Niño 3.4. Como o litoral do Peru é o ponto de encontro geográfico onde os dois fenômenos atuam, é um país que sofre com impactos graves, nas crises climáticas mundiais e nos eventos costeiros locais.O El Niño Costeiro gerou um cenário de emergência no Equador e no Peru.
Em Guayaquil, inundações atingiram ao menos 83 setores da cidade e causaram cortes de energia. No arquipélago de Galápagos, as cheias em Puerto Ayora deixaram mais de 2 mil afetados e uma pessoa morta, além de forçar o fechamento preventivo de pontos turísticos.No norte do Peru, os temporais se concentraram em Tumbes e Piura, levando o Rio Tumbes a uma intensa vazão de 1.021 metros cúbicos por segundo e mobilizando socorristas e tropas militares.
As chuvas ainda causaram deslizamentos em uma proporção nunca vista no país desde o Super El Niño de 1997 a 1998 e o evento costeiro de 2017.
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