'El Mencho': narcotraficante mexicano é sepultado em caixão dourado e sob escolta militar
Guindastes carregados de flores enviadas de forma quase anônima, música regional e uma operação militar com veículos blindados marcaram o último adeus ao narcotraficante mexicano Nemesio Oseguera, "El Mencho", morto dias antes após uma operação federal.
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Os restos de quem foi líder do poderoso cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) repousavam presumivelmente em um caixão dourado, pôde observar, em meio a um forte esquema de segurança, uma equipe da AFP.
'El Mencho': narcotraficante mexicano é sepultado em caixão dourado e sob escolta militar
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Ao contrário dos luxuosos mausoléus onde estão enterrados outros notórios narcotraficantes, a última morada de "El Mencho" é uma sepultura ao nível do solo em um cemitério moderno vizinho a uma instalação militar e a cerca de 5 quilômetros do estádio que será sede da Copa do Mundo de Futebol de 2026.
O corpo de Oseguera foi entregue no sábado pela Procuradoria-Geral aos familiares, que decidiram transferi-lo da Cidade do México para Guadalajara (oeste) para velá-lo e sepultá-lo no subúrbio de Zapopan.
'El Mencho': narcotraficante mexicano é sepultado em caixão dourado e sob escolta militar
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"El Mencho", o traficante mais procurado e por quem os Estados Unidos ofereciam uma recompensa de 15 milhões de dólares, morreu após os tiros que recebeu durante a operação surpresa lançada no domingo, 22 de fevereiro, em um exclusivo clube campestre do município de Tapalpa, em Jalisco.
Um militar que pediu anonimato por não estar autorizado a falar explicou à AFP que o corpo foi escoltado o tempo todo "para que grupos rivais não façam escárnio dele".
Flores, blindados e silêncio
Desde domingo, a funerária responsável pelo corpo foi cercada por um forte esquema de segurança com militares, guardas nacionais e policiais, que interrogavam qualquer pessoa que se aproximasse do local.
A operação ostensiva desestimulou a presença de curiosos, mas não impediu um contínuo desfile de arranjos florais — alguns em forma de cruz, asas de anjos compostas por rosas vermelhas e até um monumental, em formato de galo, em referência à afeição do traficante por rinhas.
Diferentemente do habitual, as homenagens chegavam sem identificação do remetente. Ao fim, foram necessários cinco guindastes para transportar os arranjos até o cemitério, constatou um jornalista da AFP.
O trajeto até o local do enterro, situado do outro lado da cidade, só foi divulgado no último momento por razões de segurança. "Não disseram, vamos seguir o carro funerário", comentou um motorista dos guindastes que pediu para não ser identificado.
Cerca de oito pessoas vestidas de preto, com óculos escuros e apontadas como familiares de Oseguera, entraram em dois veículos que seguiram atrás do carro funerário branco responsável por transportar o caixão dourado.
Uma dezena de veículos do Exército e da Guarda Nacional tomou a dianteira, acompanhada por duas motocicletas da polícia para abrir caminho ao comboio, que chegou ao cemitério ao meio-dia.
O local já estava sob a guarda de dezenas de militares, que restringiam o acesso apenas a pessoas que comprovassem ter compromissos no cemitério.
Música em despedida
O caixão dourado foi levado a uma capela próxima à entrada, onde uma banda de música norteña aguardava para a cerimônia. O gênero é conhecido por interpretar os chamados “narcocorridos”, canções inspiradas na trajetória de chefes do tráfico.
Após cerca de uma hora, o caixão retornou ao carro funerário e seguiu até a sepultura.
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Acompanhado por aproximadamente vinte pessoas, o enterro ocorreu ao som de música de banda, que entoava versos como: "já morto vou levar comigo apenas um punhado de terra".
Além de Oseguera, outros integrantes do CJNG morreram na mesma operação. Após a confirmação da morte do líder, pistoleiros do cartel desencadearam ações coordenadas em 20 dos 32 estados do México.
Nos ataques a prédios públicos, bloqueios de rodovias e incêndios a estabelecimentos comerciais, mais de 70 pessoas morreram.
