Edinho diz que 'não dá para a Meta assumir lado' na eleição, e Marinho defende que 'mentira precisa ser combatida'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Ao participarem nesta segunda-feira do GloboNews Debate, os coordenadores das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) se manifestaram sobre as decisões recentes da Justiça Eleitoral envolvendo a Meta e o canal de Whatsapp "Exército de Lula", criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Enquanto o presidente do PT Edinho Silva afirmou que a dona do Facebook, Instagram e Whatsapp não deve "assumir lado" no pleito, o senador bolsonarista Rogério Marinho (PL-RN) defendeu igualdade de condições na disputa e acusou o governo federal de "tentar suprimir a liberdade de expressão" por meio da Advocacia Geral da União (AGU).

Leia mais: Ministro do TSE nega pedido de Flávio e mantém propaganda em que Lula afirma que senador era contra fim da escala 6x1 Política: Após reunião com organizadas, Boulos reconhece que fim das bets afetou clubes e diz que governo vai 'discutir medidas Nessa segunda-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu 24 horas para que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, Facebook e Instagram, comprove que não está limitando o alcance de publicações ou favorecendo campanhas de Flávio Bolsonaro ou Lula. Na semana passada, a empresa havia reconhecido falhas que impactaram a produção e circulação de conteúdos relacionados ao petista. A Meta negou que atue para interferir na eleição e afirmou que os problemas foram corrigidos.

— A Meta prejudicou muito a campanha do presidente Lula, inclusive, restringindo os nossos conteúdos e liberando conteúdos do nosso adversário — disse Edinho Silva na GloboNews Deba, ao ser questionado sobre o tema — Nós não queremos privilégio, queremos concorrer de forma igualitária. O que não dá é pra gente enfrentar a Meta, que é uma empresa norte-americana, que tem interesses comerciais no Brasil, que não quer que as big techs sejam reguladas (...) Não dá pra Meta assumir um lado na disputa presidencial do Brasil. Ao ser instado a falar da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a Meta, Rogério Marinho disse que a campanha defende "a liberdade de expresssão" e "a paridade de armas" e atacou o governo.

— Em nenhum momento, nós pedimos ou queremos que haja nenhuma preferência por quem quer que seja no processo eleitoral. O que está acontecendo é que o governo tem um condão de tentar suprimir a liberdade de expressão. O primeiro dia dessa administração começa com o ministro (Jorge) Messias, da AGU, estabelecendo uma espécie de Ministério da Verdade. Ele criou, dentro do âmbito da AGU, uma instituição para que as pessoas que façam críticas ao governo possam a receber processos caso, na visão deste governo, ultrapassem determinados limites — disse o senador bolsonarista, referindo-se à Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, criada em 2023.

Em seguida, Marinho foi questionado sobre o PL ter se manifestado de forma favorável à retirada do ar do canal Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones. Segundo o senador bolsonarista, ele não se opôs à manutenção do canal de Janones. — Nós apenas dissemos que teria de haver responsabilidade do PT, já que Janones estava emulando em nome do PT — disse Marinho, que acrescentou — Nós achamos que o melhor e mais potente desinfetante é a luz do sol, é a transparência. Agora, a mentira, a narrativa distorcida, essa precisa ser combatida (...) Se a Meta ou qualquer outra plataforma de comunicação favorece essa ou aquela campanha, nós repudiamos fortemente. Edinho rebateu Marinho e disse que a campanha de Flávio Bolsonaro também deveria ser responsabilizada pelo conteúdo produzido por influenciadores que o senador fluminense.

— Você não pode restringir o Janones e não ter a mesma postura em relação aos influenciadores do outro lado, da outra campanha. Por que você vai penalizar alguém que está do nosso lado e não tem nenhum tipo de restrição a quem está do outro lado? — disse Edinho, que continuou — Inclusive, porque alguns conteúdos alcançam números exorbitantes que niguém explica? Um influenciador do Flávio Bolsonaro não pode ser mais influente que a Beyoncé. Bolsa-família e troca de críticas Ainda no início do debate, Rogério Marinho foi questionado sobre a repercussão de uma declaração de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio, de que, caso ele seja eleito, o Bolsa Família voltará a ter uma regra de transição de dois anos para beneficiários. O impacto da declaração nas redes foi negativo ao ser interpretada como um indicativo de que um novo governo poderia limitar o benefício em dois anos. — O que a Daniela falou hoje numa entrevista foi que a transição, que é de 18 meses, vai ser ampliada para 24 meses. Você vai ampliar esse período para permitir que esta pessoa se sinta confortável, caso queira buscar um emprego qualificado. E isso foi interpretado ou foi distorcido para que nós iríamos tirar essas pessoas do Bolsa Família — disse Marinho, que classificou o caso de "fake news".

Edinho Silva rebateu que "essa insegurança se cria porque Flávio Bolsonaro votou por perdas de direitos dos trabalhadores".

— Ele votou contra a aposentadoria por tempo de serviço, agora já como senador da República. Ele trabalhou o tempo todo contra a aprovação do fim da jornada 6x1. Mudou de posição porque a opinião pública fez com que ele mudasse por conta das questões eleitorais — completou o presidente do PT.

O coordenador da campanha de Lula criticou, em seguida, a conduta do governo do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a pandemia e fez menção ao retorno do país ao mapa da fome da ONU, o que ocorreu no governo do ex-capitão do Exército.

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