Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014. Álbum ‘Faz Frio mas É Verão’ traz uma construção original da música urbana
O rapper, performer e artista visual paulista Edgar – que antes adotava o nome artístico de Novíssimo Edgar e tem dez álbuns solos lançados – e o duo carioca de produtores Os Fita, formado por Abel Duarte e Cainã Bomilcar, se uniram para lançar o disco Faz Frio mas É Verão. O trabalho realiza a fusão do rap e da música eletrônica com propriedade, resultando num disco original e representativo da música urbana.
Edgar considera o álbum experimental. “Tem diversas técnicas de manipulação sonora, desde sample à gravação original, então é um processo experimental de fazer”, afirma, em entrevista a CartaCapital.
A música eletrônica e o rap têm quase a mesma idade no Brasil. Ambos gêneros ascenderam nos anos 1980 e se estabeleceram forte na década seguinte.
“A gente está remoendo e ruminando as novas possíveis subvertentes e subgêneros que se enquadram dentro desse universo, que é a música eletrônica”, diz Edgar. Para Abel Duarte, de Os Fita, é difícil separar o rap da música eletrônica: “O rap ele é feito a partir de instrumentos eletrônicos, baterias eletrônicas, samplers, sintetizadores.
Ele é construído dessa forma como música eletrônica”. O produtor afirma que no álbum Faz Frio mas É Verão há citações musicais diversas, mostrando as possibilidades que a música eletrônica permite.
Nas dez faixas do disco, diferentes estilos estão inseridos, como, por exemplo, o jungle, o drum and bass, o dub, o dubstep e o funk. “Sinto que tudo que a gente faz acaba sendo um pouco experimental por essência, por não ser preso a uma fórmula.
Mas nesse disco tem uma estrutura, uma relação com o universo da canção e das bases mais pop”, afirma. O disco narra perspectivas do universo urbano, entre o desejo, a paranoia e a violência.
Edgar morou no Rio de Janeiro e o álbum espelha a atmosfera carioca. O duo Os Fita já produziu três álbuns com o músico Tantão.
“Os Fita são os melhores produtores do Brasil. Quero fazer mais coisas com eles e apertar mais no botão da ‘experimentalidade’, do antipop, de sair dessas fórmulas padrões que a gente já conhece de música”, afirma Edgar.
O álbum conta com a participação de Ana Frango Elétrico, Jup do Bairro, Kiko Dinucci, Crizin da Z.O. e Tantão.
Augusto Diniz Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não.
O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo. O combate à desigualdade nos importa.
A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome.
Importa o apego à verdade factual e a honestidade. Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos.
Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta. Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando.
Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Carta Capital