Duas caras? Flamengo tem cobrança externa e interna para evitar queda de rendimento no segundo tempo - QTU Questões do Universo

Duas caras? Flamengo tem cobrança externa e interna para evitar queda de rendimento no segundo tempo

Fonte: Bandeira da fonte

O bom momento do Flamengo na temporada não tem impedido críticas externas e internas pelo fato de a equipe apresentar duas caras ao longo de suas partidas.
A queda de rendimento observada no segundo tempo é o principal ponto de crítica, e envolve desde a falta de precisão nas finalizações até um desajuste entre a proposta de jogo e as características do elenco.
A equipe do técnico Leonardo Jardim voltará a ser testada hoje, às 19h30, diante do Mirassol, em partida atrasada da 4ª rodada do Brasileirão.
O problema foi abordado por Léo Ortiz em entrevista após a vitória por 3 a 0 contra o Botafogo, no último domingo.
Mesmo com um placar elástico, ele expôs insatisfação com a atuação.
— Sofremos demais.
O primeiro tempo foi quase perfeito, e o segundo foi bem abaixo.
Percebemos isso durante a semana.
Já não é o primeiro jogo em que acontece — analisou o zagueiro à GE TV.
— Temos que entender melhor o que está acontecendo, porque só voltar do intervalo falando que precisamos entrar ligados não está funcionando.
A equipe fez primeiro tempo amplamente superior, mas empilhou chances perdidas e foi para o intervalo com apenas 1 a 0 no placar.
Na etapa final, caiu muito de rendimento e deu brechas para o alvinegro empatar.
Porém, nos últimos minutos, com boas opções saindo do banco de reservas, marcou duas vezes e sacramentou o resultado.
Léo Ortiz em clássico entre Flamengo e Botafogo
Gilvan de Souza/Flamengo
O roteiro ocorreu outras vezes recentemente, como no jogo de volta das oitavas de final da Libertadores, contra o Cruzeiro.
No Maracanã, o Flamengo não aproveitou a superioridade dos primeiros 45 minutos e sofreu para se classificar.
Já na partida pelo Brasileirão, no Mineirão, acabou sendo derrotado levando uma virada no segundo tempo.
Antes, o empate em casa contra o São Paulo, pelo torneio nacional, teve história similar.
— Às vezes, estamos no jogo.
O Flamengo amassa o adversário.
Mas, do outro lado, tem uma equipe que sente “eles já chutaram dez vezes e só fizeram um gol”, e ficam com confiança.
Voltam para a segunda parte e reagem.
Se tivessem entrado uma ou duas bolas, não haveria essa conversa.
Não é que a equipe relaxou — justificou Leonardo Jardim.
Controle x jogo direto
Jardim é conhecidamente um técnico de estilo mais reativo, enquanto grande parte do elenco rubro-negro foi formatada para um jogo de mais posse e controle.
Esse processo de adaptação tem exigido adaptações tanto por parte do comandante quanto dos jogadores.
— O nosso jogo é desgastante.
Já ouvi "ah você pode jogar um futebol mais direto".
Eu vou jogar um futebol direto para quem? Para o Arrascaeta, o Pedro, o Lino? Não tenho jogadores para um jogo direto.
Por isso, tenho que ter essa pressão, temos que pressionar em conjunto.
É uma estratégia de desgaste — completou o treinador.
É consenso interno que o rubro-negro precisa de um ajuste de rota para ter mais consistência.
Nos bastidores, a cobrança partindo até mesmo dos jogadores é vista com bons olhos para provar a competitividade do grupo.
Após o clássico do fim de semana, Ayrton Lucas foi outro jogador a analisar o problema.
— Tentamos manter a concentração ao máximo, mas às vezes é um pouco difícil.
Ficamos sem entender.
A gente tenta dar o máximo, mas é difícil manter os 90 minutos.
Procuramos conversar para não cometer os erros.
No segundo tempo, sofremos um pouco, mas às vezes faz parte do futebol.
Não tem como só atacar — avaliou o lateral-esquerdo.
A partida de hoje é fundamental para as pretensões do Flamengo de ser campeão brasileiro.
Se vencer o Mirassol, chega a 51 pontos e cola de vez no Palmeiras, líder da tabela com 52.
Ambos terão as mesmas 25 rodadas disputadas.