O xixi dos alpinistas está 'derretendo' o Everest? Estudo mede impacto da urina na geleira

O xixi dos alpinistas está 'derretendo' o Everest? Estudo mede impacto da urina na geleira - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Se o xixi não congela no Everest, o problema pode ser justamente o contrário: ele está ajudando a derreter o gelo. Um novo estudo aponta que a atividade humana no acampamento-base da montanha está acelerando o aquecimento localizado da geleira Khumbu, uma das mais importantes do Himalaia. 'Músculo é patrimônio': como ele impacta para a inteligência, longevidade e autonomia Alimentação e saúde sexual: o que vai ao prato também importa Segundo o New York Times, que publicou uma reportagem sobre a pesquisa, cerca de 6 mil litros de urina são produzidos diariamente no local durante a temporada de escaladas. Os pesquisadores estimam que, ao longo de uma primavera, a urina humana seja responsável por aproximadamente 154 toneladas de derretimento da geleira. Acampamento-base virou fonte de calor Publicado em junho na revista Springer Nature Link, o estudo analisou dados de combustível e imagens de satélite entre 1991 e 2023. Em 2023, cerca de 1.600 barracas consumiram 824 cilindros de gás liquefeito de petróleo, 18.935 litros de querosene e 5.130 litros de gasolina para cozinhar, aquecer e gerar energia. O resultado chamou atenção: a temperatura no acampamento-base aumentou cerca de duas vezes mais rápido do que em outras áreas da geleira. Na região coberta por neve, o aumento foi equivalente a apenas metade do registrado no acampamento. — Se você bebe mais água, precisa eliminá-la — disse ao New York Times Khim Lal Gautam, principal autor do estudo, explicando a produção de urina em grandes altitudes. A urina, porém, está longe de ser a principal responsável pelo fenômeno. Para o coautor Sudeep Thakuri, o combustível utilizado para aquecimento, cozinha e iluminação tem impacto maior. O estudo também não contabilizou fontes adicionais de calor, como helicópteros, excursionistas e animais usados no transporte. A equipe alerta que o derretimento representa um risco não apenas para a paisagem, mas também para fontes de água, agricultura, geração de energia e segurança dos próprios alpinistas. Uma das propostas dos pesquisadores é transferir o acampamento-base para uma área de terreno mais estável, reduzindo o impacto direto sobre a geleira.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site O Globo