Durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (3/11), o presidente do Fluminense Football Club, Matheus Reis e Montenegro, reconheceu os impactos sociais associados às apostas on-line, como o endividamento das famílias, mas defendeu que ele não é maior do que o risco de desemprego que o fim das bets pode causar na cadeia do futebol.Leia também: Flamengo estima perda de R$ 430 milhões com proibição das bets"Eu ouvi muito falar sobre o drama do endividamento das famílias, e isso é verdade.
O Fluminense não nega isso. Só que também existe um drama do desemprego.
O drama de uma família endividada não pode ser colocado como maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol, especialmente das agremiações menores", disse. Montenegro explicou que os clubes de futebol têm cinco tipos de receita e que a medida provisória das bets afeta diretamente duas delas: os patrocínios (incluindo placas de campo) e direitos de transmissão. Apontou que a proposta também tem efeitos indiretos e que a única fonte de receita não afetada no esporte é a venda de jogadores.“Mexer com essa medida provisória vai no coração de todos os clubes porque acaba com a principal fonte de sobrevivência.”Leia também: Messias defende proibição das bets e cita apoio de 78% da populaçãoO representante criticou, ainda, o prazo de 10 dias imposto pelo governo de transição para restringir a publicidade das bets.
Ele comparou a situação atual com a de países da Europa e afirmou que nenhum mercado no mundo restringiu a publicidade das casas de apostas em menos de 10 meses, enquanto o Brasil tenta aplicar um prazo de 10 dias por medida provisória. Durante a fala, Matheus destacou, também, que em 2025 os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro registraram R$ 3 bilhões em receita comercial, dos quais R$ 1 bilhão veio de bets.
No caso do Fluminense, o impacto seria muito significativo, segundo o dirigente. O clube tem uma receita recorrente entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões, e o impacto seria de R$ 200 milhões, comentou.Leia também: Janja entrega estudo a Fux sobre impacto das bets às mulheresSobre a possibilidade dos times de futebol se adequarem buscando novos patrocínios, ele argumentou que, pela lei da oferta e da demanda, com 14 clubes da Série A buscando patrocínio simultaneamente, o patrocínio ficaria desvalorizado.
Saiba Mais Política Governo não encontrou alternativa eficaz à proibição das bets, diz ministro Política Fux defende banimento das bets e classifica ludopatia como problema de saúde pública Política Lula convoca população a acompanhar audiência sobre bets no STF
Correio Brazilliense