Ibama alerta que espécie se dispersa em quase todas atividades que envolvam a águaReprodução O mexilhão-dourado, molusco de água doce originário da Ásia, tem ampliado a presença em território brasileiro, o que preocupa pesquisadores pelos impactos econômicos e biológicos que pode causar.Conforme estudos, o avanço do animal foi registrado na Amazônia e no Nordeste de 2023 até 2025.
A espécie identificada como Limnoperna fortunei forma colônias que se prendem a superfícies submersas, o que pode prejudicar embarcações, sistemas de captação de água, hidrelétricas e a biodiversidade local.Um estudo publicado em dezembro de 2025 analisou uma população estabelecida no Rio Tocantins, Pará, enquanto outra pesquisa, de 2026, registrou a espécie no reservatório Barra do Juá, em Pernambuco.O primeiro estudo se chama “Dourado, mas não precioso: primeiros dados quali-quantitativos da bioinvasão do mexilhão-dourado na Amazônia”, e o segundo “Ele chegou, mas não é bem-vindo! Registro da chegada do mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) na bacia hidrográfica do rio Pajeú – Brasil”.De acordo com o Instituto Brasileiro Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o mexilhão-dourado é um animal muito pequeno, que pode atingir alguns centímetros de comprimento, e se alimenta por filtração.O instituto aponta que o animal provavelmente chegou de forma acidental à Argentina, carregado na água de lastro de navios cargueiros e, depois disso, migrou ao Brasil.
A espécie também foi detectada em quase toda a região Sul e em vários pontos do Sudeste e Centro-Oeste.O Ibama pontua que a espécie praticamente não possui predadores no Brasil e que tem grande capacidade de reprodução e dispersão, o que a classifica como ‘espécie invasora exótica’.
A invasão biológica é considerada a segunda maior causa de extinção.Os seguintes prejuízos são causados pelo mexilhão-dourado:Destruição da vegetação aquática;Ocupação do espaço e disputa por alimento com os moluscos nativos;Prejuízos à pesca, já que a diminuição dos moluscos nativos diminui o alimento dos peixes;Entupimento de canos e dutos de água, esgoto e irrigação;Entupimento de sistemas de tomada de água para geração de energia elétrica, causando interrupções frequentes para limpeza e encarecendo a produção;Prejuízos à navegação, com o comprometimento de boias, trapiches, motores e de estruturas das embarcaçõesQuase 16 mil mexilhões por metro quadradoA pesquisa realizada no Pará identificou uma densidade média de 11.940 indivíduos por metro quadrado, com máximo de 15.849 em um dos pontos analisados.
Amostras foram coletadas em outubro de 2024 ao longo de três pontos do rio Tocantins.Os indivíduos tinham cerca de 1,9 a 22 milímetros. A diferença de tamanhos entre a população é um indício de já haver reprodução local, apontam os pesquisadores.
O estudo sugere que ações de monitoramento sejam realizadas para dimensionar a extensão da invasão.Já na bacia do rio Pajeú, em Pernambuco, os indivíduos registraram de 20 a 27 milímetros dentre os três períodos de levantamentos realizados nos anos de 2022, 2023 e 2025. Somente no reservatório de Barra do Juá o mexilhão foi encontrado.Os primeiros foram vistos presos a embarcações em 2023, sendo que, dois anos depois, os cientistas identificaram exemplares em cinco pontos da área litorânea do reservatório, o que aponta a presença de uma população local estabelecida.
Riscos para rios, pesca e hidrelétricasÀ nível de flora e fauna, o mexilhão-dourado pode promover um desequilíbrio natural em populações de outros moluscos, pois disputa alimentação e espaço com as espécies nativas do Brasil, mas não possui predadores.Os predadores, outros peixes, por sua vez, também são afetados, com redução de alimento disponível nos ecossistemas.Conforme o Ibama, para além do equilíbrio biológico, a espécie exótica pode se acumular em tubulações, filtros, sistemas de captação, gerando uma série de problemas e custos adicionais.O controle da dispersão é a principal resposta para o problema.
Segundo o Ibama, quase todas atividades que envolvem a água podem transportar o animal. Seja na fase larval, em que é invisível a olho nu, ou já adulto, grudado a cascos de barcos ou na água de lastro.O órgão orienta a retirada de água acumulada em embarcações, inspeções no casco e equipamentos, limpeza de materiais e descarte de água de iscas vivas em terra, longe de ambientes aquáticos.Por outro lado, a erradicação da espécie é considerada inviável pelo órgão, que informa que os recursos e conhecimentos disponíveis atualmente não são suficientes atualmente.
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