Comércio familiar com 33 anos de história em Tubarão sofre hostilizações após vitória de Lula; vídeo com desabafo de empresário e filha já ultrapassa 1,5 milhão de visualizações O proprietário do Restaurante Toca do Leão, Hélio Nunes Domingos, publicou um vídeo no Instagram ao lado de sua filha pedindo empatia e respeito após seu estabelecimento, localizado em Tubarão, no Sul de Santa Catarina, ser incluído em listas de boicote por apoio ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No vídeo, que já conta com mais de 1,5 milhão de visualizações, Hélio relata a hostilização na rua, com olhares atravessados, cochichos e buzinas de carros que passam em frente ao seu restaurante. A mobilização promovida por apoiadores do candidato derrotado coloca em risco o trabalho e a renda do estabelecimento, que funciona todos os dias da semana há 33 anos.
Um post compartilhado por Restaurante e Churrascaria (@restaurantetocadoleao) Acompanhado da filha, Maria Catarina, o empresário explicou que a gravação não tinha o objetivo de debater ideologias, mas de defender a sustentabilidade do comércio da família.
Durante a publicação, ele expressou a angústia com as reações no município. “A gente foi citado em uma lista de boicote de pessoas infelizes, pessoas que não têm consciência do que isso pode acarretar na vida das pessoas.
Todos os nossos clientes sabem que a gente não levanta bandeira para ninguém. Atendemos todos como se fossem a nossa família”, disse.
Hélio relatou que a rotina de trabalho foi impactada logo após a circulação dos arquivos com os nomes dos comércios. “Estamos sendo hostilizados.
O pessoal passa na frente buzinando, me vê de uniforme e olha atravessado, pessoal cochicha. A gente tem família, a gente não é bandido, a gente é trabalhador.
A gente abre de segunda a segunda há 33 anos”, explicou. Ele deixou claro que independentemente do posicionamento político, religioso ou sexual do cliente, todos são bem-vindos no local.
“A gente não é extremista, não deseja o mal do outro porque o outro vota em uma coisa. Acho isso um absurdo, uma falta de respeito, uma falta de empatia com as pessoas”.
Na legenda da postagem, o comerciante reforçou o apelo pela convivência pacífica e pelo respeito à divergência de ideias. “A política passa, os candidatos mudam, mas a forma como tratamos as pessoas deixa marcas.
Discordar faz parte da democracia, desrespeitar não. Nenhum voto deveria valer mais que o respeito, a educação e a empatia pelo próximo”.
Com a repercussão do caso e a mobilização de moradores e internautas em solidariedade ao estabelecimento, Hélio publicou um novo vídeo para agradecer pelas mensagens de suporte recebidas. “Quero agradecer cada apoio que estão me dando, é muito importante ter essa força positiva.
Nunca foi sobre política, mas foi sobre a maldade do ser humano. Eu me posicionei e, de certa forma, fui um porta-voz dos injustiçados, porque eu fui injustiçado.”, concluiu.
As manifestações ocorrem após grupos de oposição começarem a divulgar relações em redes sociais e aplicativos de mensagens associando comércios locais a preferências eleitorais pelo PT (Partido dos Trabalhadores). O material é compartilhado com apelos para que os consumidores deixem de frequentar as empresas mencionadas.
A menção de um estabelecimento em postagens desse tipo, por si só, não comprova que os proprietários tenham formalizado apoio a legendas ou candidatos. A circulação desses conteúdos decorre de iniciativas sem critérios verificáveis e de autoria anônima.
Outros comerciantes catarinenses também reportaram episódios de intimidação e reflexos nas páginas comerciais na internet após a disseminação de materiais semelhantes. A prática tem alimentado debates jurídicos e sociais sobre os prejuízos à atividade econômica e o uso indevido de nomes de empresas em disputas partidárias.
Matheus Bastos é estudante de Jornalismo na UFSC e, no ND Mais, escreve sobre assuntos de interesse público da vida do catarinense. Entre assuntos mais abordados estão o meio ambiente, segurança pública e a infraestrutura de Santa Catarina, com foco especial em Florianópolis e região.
Foi premiado na Expojor UFSC, em trabalhos de áudio e jornalismo digital, e recebeu o Prêmio ACMP de Jornalismo, em 2025, com a reportagem “Corrupção de milhões: como a Operação Mensageiro mudou contratos públicos e a política de SC”. Também atua na cobertura de destaques da política de Santa Catarina e integra a cobertura das Eleições 2026 no portal ND Mais.
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