Dólar à vista encerra em queda com alívio externo

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Fonte da notícia: Valor Valor

O dólar à vista encerrou a sessão de hoje em leve queda, em dia marcado por alívio na percepção de risco e nos juros globais diante da desvalorização dos preços do petróleo. No Brasil, houve por parte dos agentes cautela por conta do cenário eleitoral, após o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar um reajuste no Bolsa Família, às vésperas das eleições. O pregão também foi marcado por uma piora no dólar casado, termômetro da liquidez do mercado de câmbio à vista, abrindo margem para que os investidores cogitassem uma nova atuação do Banco Central. Encerradas as negociações desta quinta-feira, o dólar à vista fechou em queda de 0,24%, cotado a R$ 5,1386, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,1253 e batido na máxima de R$ 5,1772. Já o euro comercial recuou 0,18%, a R$ 5,8986.

Perto das 17h15, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,04%, aos 100,210 pontos. No começo da sessão, o otimismo com o cenário eleitoral continuava dando apoio para o real, que se mostrava uma das moedas mais fortes entre as mais líquidas, mas após notícias sobre a elevação dos benefícios do Bolsa Família, a dinâmica se desfez. “Uma medida como essa perto das eleições gera apreensão em quem espera por uma alternância de poder”, diz um gestor.

O economista Adauto Lima, da Franklin Templeton, diz que é difícil saber qual vai ser o impacto da medida para os eleitores neste momento. “O que dá para dizer é que é uma medida que piora o cenário fiscal de forma permanente. Não adianta o governo dizer que vai haver ajuste, porque não vemos medidas neste sentido. O impacto eleitoral é incerto, mas não deve ser neutro. Do ponto de vista dos preços de mercado, pode ser um risco, sim, de uma eleição que estava mais apertada mudar”, afirma. “Se isso acontecer, você volta a ver prêmio embutido nos ativos [por conta do risco fiscal].” No exterior, o dólar iniciou a sessão sem uma orientação definida, mas ao longo do dia foi perdendo tração. A queda dos preços do petróleo e o recuo dos rendimentos dos Treasuries podem ter ajudado a aliviar a força da moeda americana. Operadores observaram que, mesmo com uma redução dupla no diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos ontem (com corte aqui e alta de taxas lá), o real não ficou pressionado na sessão. Lima, da Franklin, diz que o diferencial de juros é um dos elementos que ajudam a precificar o câmbio, mas há outros fatores em jogo. “Não é necessariamente o mais importante. É preciso sempre olhar isso com cuidado. Claro que a redução faz alguma diferença, mas ainda temos uma bela gordura. Não é um diferencial estreito”, afirma. “Além disso, há muita coisa acontecendo no mundo além do idiossincrático brasileiro. Ontem, por exemplo, a subida de juros do Federal Reserve (Fed) deveria ter levado a uma pressão maior nas moedas globais, em especial as emergentes", afirma. “Mas desde o Liberation Day, o dólar tem tido uma dinâmica orientada por outros fatores; por um risco, talvez, de medidas novas, mudanças de regras; por uma realocação do capital marginal.” Além do já mencionado, o economista lembra que o que está ocorrendo com os preços do petróleo cria um choque muito favorável aos termos de troca brasileiros. “Somos exportadores líquidos de petróleo. Portanto, tudo mais constante, isso melhora nossa balança comercial e nossos fluxos de capital. Isso acaba sendo um amortecedor de movimentos cambiais.”

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