Dois suspeitos de roubo de gado são encontrados mortos a tiros em barco à deriva na Argentina
A descoberta dos corpos de dois suspeitos de roubo de gado, mortos com disparos de espingarda, ao lado de uma vaca pronta para o abate, em uma canoa à deriva nas proximidades de ilhas, deu um desfecho trágico ao fim de ano na região metropolitana de Santa Fé. O achado ocorreu quando um morador que navegava pelo rio Coronda, nas imediações de Sauce Viejo, a 17 quilômetros ao sul da capital provincial, avistou a embarcação à deriva com a carga macabra.
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Segundo os investigadores, por volta do meio-dia de quarta-feira (31) a polícia foi acionada por meio do centro de emergências 911, alertada sobre a presença de um pequeno barco sem controle no rio.
Quando agentes da 19ª Delegacia de Polícia do distrito se aproximaram da embarcação, constataram que havia pessoas em seu interior. Elas não apresentavam sinais de movimento. Diante da situação, foi solicitada imediatamente a atuação da Prefeitura Naval Argentina (PNA).
A embarcação foi localizada nas proximidades do bairro La Arenera, em Sauce Viejo. No local, as autoridades rebocaram o barco até a margem e deram início aos procedimentos investigativos.
Peritos da Polícia de Investigação (PDI), juntamente com o médico legista, confirmaram que as vítimas apresentavam múltiplos ferimentos compatíveis com disparos de espingarda. Cartuchos de chumbo recolhidos no local indicam um ataque à queima-roupa, com elevada potência de fogo, o que reforça a possibilidade de participação de mais de uma pessoa.
Embora as identidades dos mortos ainda não tenham sido oficialmente confirmadas, o jornal LA NACION apurou que os investigadores trabalham com a hipótese central de roubo de gado. As vítimas seriam supostos “ladrões de gado” que teriam sido alvo de um ato de vingança.
A presença do bovino morto dentro da canoa fortalece a teoria de que os homens foram surpreendidos pelo proprietário do animal ou por um produtor rural da região insular, que teria efetuado os disparos para impedir o roubo.
De acordo com relatos, na área insular em frente a Sauce Viejo e até a foz do rio Coronda, no curso médio do rio Paraná, na altura de Puerto Gaboto — onde também deságua o rio Carcarañá, a cerca de 120 quilômetros ao sul de Santa Fé — há criação de gado bovino e equino. A região registra inúmeros episódios de roubo de animais, além do uso de redes sociais para a comercialização da carne obtida ilegalmente.
A autópsia está prevista para esta quinta-feira, 1º de janeiro, e deverá esclarecer a causa exata das mortes e a dinâmica do crime.
Também foram determinadas a busca por informações sobre a embarcação e a checagem de seu registro para identificar o proprietário, além da perícia no bovino, com análise de marcas e sinais, para localizar o dono do animal e o ponto exato do suposto roubo.
Especialistas tentam ainda estabelecer com precisão o horário do ataque e o local exato do rio onde os disparos tiveram início, antes de a correnteza arrastar a canoa até a margem.
Fim de ano violento
A descoberta das duas vítimas encerrou um dia marcado por episódios de violência na região metropolitana de Santa Fé, onde foram registrados cinco homicídios — um número considerado incomum ao longo do último ano.
Conforme informou o jornal LA NACION, o dia 31 de dezembro tornou-se progressivamente mais violento desde as primeiras horas da manhã, quando a morte de um jovem desencadeou uma série de atos de vingança por parte de familiares. Eles invadiram a casa onde o suposto autor do crime morava com os irmãos e, durante um tiroteio, executaram uma adolescente grávida de 17 anos e um homem da mesma família.
