Dois navios-tanque pegaram fogo em águas territoriais da Romênia, no Mar Negro, entre a noite de quarta e a madrugada desta quinta-feira, após drones russos terem sido avistados no espaço aéreo do país. Sete tripulantes de uma das embarcações estão desaparecidos, enquanto outros cinco foram resgatados. Autoridades romenas iniciaram operações de busca e salvamento, mas ainda não confirmaram a causa dos incêndios. Os incidentes, no entanto, ocorrem em meio a uma série de ataques contra navios comerciais na região, que já deixaram pelo menos 23 marinheiros desaparecidos nos últimos dez dias. Contexto: Onze marinheiros estão desaparecidos após drone afundar navio na costa da Bulgária Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Em publicação no X, o presidente romeno, Nicușor Dan, afirmou que a tendência é “inaceitável” e “precisa acabar”: “A situação no Mar Negro é grave. Navios comerciais estão sendo atacados e afundados. Marinheiros estão sendo mortos, feridos e estão desaparecidos. Vidas, o comércio global e infraestruturas críticas estão em risco”. As duas embarcações estavam ancoradas perto da entrada do Canal de Sulina, que liga o Rio Danúbio ao Mar Negro, quando os incêndios começaram. A autoridade naval romena disse ter recebido um pedido de socorro às 7h, no horário local, do Wine Trader, um navio-tanque de produtos químicos que navega sob bandeira de San Marino.
A embarcação estava a cerca de 24 km da cidade romena de Sulina, próxima à fronteira com a Ucrânia. Dos 12 tripulantes a bordo, cinco foram resgatados, enquanto os demais continuam desaparecidos. Em meio a ameaças: Otan detalha plano para proteger aliados europeus de possível ataque da Rússia O outro incêndio, registrado algumas horas antes, atingiu o Yara J, um navio-tanque de produtos químicos e petróleo que navega sob bandeira de Comores. Todos os tripulantes da embarcação estão em segurança, segundo as informações divulgadas pelas autoridades.
Os dois navios estavam ancorados em uma área frequentemente utilizada por embarcações que aguardam condições favoráveis para navegar pelo Canal de Sulina, especialmente em situações de congestionamento ou atrasos provocados pelo mau tempo. Investigação em andamento O ministro da Defesa da Romênia, Radu Miruta, afirmou que as autoridades investigam as circunstâncias dos incêndios e ressaltou a gravidade dos episódios por terem ocorrido dentro das águas territoriais do país. Embora drones russos tenham invadido o espaço aéreo antes dos incidentes, o governo ainda não estabeleceu uma relação direta: — Se foi atingido por um drone ou não, uma investigação está em andamento — disse Miruta ao canal de televisão Digi24. — Esta é uma questão de extrema gravidade, considerando que incidentes desse tipo estão ocorrendo em águas territoriais romenas. Entenda: Rússia rejeita trégua de 60 dias para eleições na Ucrânia e evita confirmar cessar-fogo energético anunciado por Trump O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que a aliança militar reforçou sua presença no flanco oriental, incluindo a ampliação das capacidades de defesa contra drones. A Romênia e a Bulgária, cujas costas vêm sendo atingidas por incidentes envolvendo embarcações comerciais, fazem parte da organização.
— A Otan reforçou nossa presença ao longo do flanco oriental, inclusive com o aumento das capacidades de combate a drones — disse Rutte, acrescentando que a aliança continuará a “trabalhar em estreita colaboração com nossos aliados no Mar Negro, ajustando nossa postura de dissuasão e defesa conforme necessário”. Escalada de ataques Os incêndios desta quinta são os mais recentes de uma série de incidentes que vêm afetando o transporte marítimo no Mar Negro, em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia. Desde o início de outubro, Moscou tem sido acusada de estar por trás de ataques com drones contra embarcações comerciais nas proximidades das costas romena e búlgara. As ofensivas se intensificaram nas últimas semanas, aumentando os riscos para navios que utilizam as rotas marítimas da região. Torres automatizadas: Ucrânia usa armas robóticas com IA para derrubar novos drones russos, diz Força Aérea; entenda No início da semana passada, uma embarcação turca carregada de grãos afundou na costa da Romênia após um incêndio. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de estar por trás do ataque. Já na terça-feira, dois navios mercantes foram atingidos por drones na costa da Bulgária, deixando 11 pessoas desaparecidas. Um dos episódios levou o governo búlgaro a convocar o embaixador russo para prestar esclarecimentos sobre o naufrágio de uma embarcação. A Romênia compartilha uma fronteira de 614 quilômetros com a Ucrânia, grande parte dela ao longo do Rio Danúbio, e tem registrado repetidas violações de seu espaço aéreo por drones russos desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. A proximidade com as áreas de combate e a importância das rotas marítimas da região colocaram o país entre os diretamente afetados pelas consequências da guerra. O Danúbio e seus portos passaram a ser utilizados com frequência por embarcações ucranianas, à medida que as forças russas intensificaram os ataques contra instalações portuárias da Ucrânia no Mar Negro. Navios ucranianos também têm optado por rotas próximas às costas da Romênia e da Bulgária. O aumento dos ataques ao transporte marítimo nos últimos meses reduziu drasticamente o escoamento de grãos da Ucrânia e da Rússia, dois dos principais exportadores mundiais de cereais. Diante da escalada, o primeiro-ministro da Bulgária, Rumen Radev, afirmou nesta quinta-feira que a União Europeia discutirá uma proposta de moratória sobre ataques contra embarcações civis no Mar Negro. Segundo ele, o tema será abordado durante a cúpula do bloco realizada em Bruxelas.
(Com AFP)
O Globo