Apenas 53% dos candidatos em disputas decisivas pelo Senado dos EUA garante aceitar resultados

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Fonte da notícia: Valor Valor

Pouco mais da metade dos candidatos dos principais partidos nas disputas mais acirradas pelo Senado dos Estados Unidos disse à Reuters que aceitará os resultados das eleições independentemente do desfecho, enquanto alguns sinalizaram certo grau de incerteza a menos de um mês das eleições de meio de mandato de 3 de novembro. Leia também: Frustração com Trump favorece democratas às vésperas de eleições nos EUA, diz pesquisa Governo Trump mira autoridade eleitoral de Nevada com intimações antes do pleito legislativo Eleição reflete rejeição a Trump e não apoio aos democratas, diz ex-assessor de Clinton A Reuters perguntou a candidatos republicanos e democratas ao Senado e a suas campanhas se aceitariam os resultados eleitorais em 13 Estados que podem determinar qual partido controlará a Câmara Alta do Congresso nos últimos anos da Presidência de Donald Trump.

A agência de notícias também procurou saber suas posições sobre uma possível interferência do governo Trump nas eleições. A Reuters conversou pessoalmente com alguns candidatos, mas fez a maioria das perguntas por e-mail ou mensagem de texto.

As respostas divergentes destacam a incerteza que paira sobre as eleições de meio de mandato quase seis anos depois que Trump tentou reverter sua derrota na eleição de 2020 para o ex-presidente democrata Joe Biden. Antes da votação deste ano, Trump fez repetidas tentativas de federalizar eleições conduzidas pelos Estados, obter acesso a cadastros estaduais de eleitores e registros de votação e acusar os democratas de fraude eleitoral sem apresentar provas.

Os republicanos atualmente detêm uma maioria de 53 a 47 cadeiras no Senado. Mas a taxa de aprovação de Trump, no menor nível já registrado, e os preços elevados da energia e de outros produtos, provocados por sua política tarifária e pela guerra com o Irã, enfraqueceram os republicanos, mesmo em Estados tradicionalmente favoráveis ao partido, aumentando as esperanças dos democratas de conquistar o controle do Senado. Os democratas já são considerados favoritos para vencer na Câmara dos Deputados, segundo analistas independentes.

Das 26 campanhas consultadas, as de nove democratas, um independente e quatro republicanos (o equivalente a 53,85%) disseram que seus candidatos aceitariam os resultados sem condições.

Em um momento em que autoridades eleitorais estaduais e locais se preparam para a possibilidade de interferência do governo Trump, alguns democratas criticaram restrições ao voto impostas pelos republicanos e enfatizaram a necessidade de garantir que todos os votos válidos sejam contabilizados, enquanto alguns republicanos acusaram os democratas de minar a confiança pública nas eleições.

Em quatro disputas — Alasca, Iowa, Maine e New Hampshire —, as campanhas de ambos os partidos disseram que aceitariam os resultados eleitorais incondicionalmente. Em outras cinco — Kansas, Michigan, Nebraska, Ohio e Carolina do Sul —, os democratas sinalizaram que aceitariam os resultados, enquanto os republicanos deram respostas condicionais ou não responderam à pergunta.

Em pelo menos uma das campanhas de cada uma das disputas restantes — Carolina do Norte, Geórgia, Minnesota e Texas —, não houve resposta às perguntas da Reuters. Os motivos dessa relutância não estavam claros.

"Esperamos plenamente uma eleição justa, na qual todos os eleitores aptos da Geórgia possam ter confiança de que suas vozes foram ouvidas", disse Ellie Dougherty, porta-voz da campanha do senador democrata Jon Ossoff, que busca um segundo mandato na Geórgia, um dos principais focos da iniciativa do governo para obter dados de eleitores e registros eleitorais.

"Mas, se houver preocupações fundamentadas sobre interferência do governo Trump, ou de qualquer entidade, mobilizaremos todo o peso de nosso aparato jurídico para eliminar essa interferência", afirmou Dougherty em comunicado.

A campanha do republicano Mike Collins, adversário de Ossoff na eleição, não respondeu às repetidas solicitações de comentários da Reuters.

A senadora Susan Collins, do Maine, foi a única republicana cuja campanha abordou a possibilidade de interferência nas eleições de novembro, afirmando que ela se "oporá a qualquer tentativa de comprometer o resultado de eleições livres e justas no Maine e em todo o país".

O senador Roger Marshall, do Kansas, um dos oito senadores republicanos que votaram para impedir a certificação da vitória de Biden na eleição de 2020, minimizou a questão da interferência, dizendo à Reuters: "Não passei um momento sequer pensando nisso, e simplesmente acho que é uma hipótese, e não vou entrar nessa discussão". Mas ele expressou preocupação com a integridade do processo eleitoral em todo o país, especialmente com o voto pelo correio.

A Casa Branca afirmou em comunicado que Trump "fez mais do que qualquer outro presidente para garantir que tenhamos eleições livres e justas" e destacou as exigências do presidente de apresentação de documento de identidade para votar e comprovação de cidadania, medidas que o Congresso não aprovou. "Qualquer pessoa que votar ilegalmente em nossas eleições será responsabilizada", disse a porta-voz da Casa Branca Lauren Bis.

A incerteza entre os políticos em relação às eleições ocorre em um momento em que a maioria dos eleitores americanos está confiante de que seus votos serão contabilizados corretamente. De acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 30 de setembro e 5 de outubro, 76% dos eleitores registrados expressaram essa confiança. O percentual subiu em relação aos 69% registrados em 2022, impulsionado principalmente pelo aumento da confiança entre os republicanos. Cabines de votação são vistas em um local de votação durante o segundo turno das primárias republicanas entre a senadora Darline Graham (R-SC) e o deputado Ralph Norman (R-SC) pela vaga da Carolina do Sul no Senado dos Estados Unidos, em Cayce, no condado de Lexington, Carolina do Sul, EUA, em 25 de agosto de 2026 REUTERS/Sam Wolfe

Disputa apertada Marshall enfrenta uma disputa inesperadamente acirrada pela reeleição contra o democrata Adam Hamilton. O republicano afirmou estar "tranquilo quanto à integridade do voto no Kansas, porque temos uma lei que exige documento de identidade do eleitor". Mas sua campanha não respondeu às perguntas sobre se ele aceitaria especificamente os resultados.

Um porta-voz da campanha de Hamilton disse que o democrata do Kansas "certamente aceitará os resultados da eleição, independentemente de quem vencer em novembro".

Uma dinâmica semelhante surgiu em Ohio, onde a campanha do democrata Sherrod Brown afirmou que seu candidato aceitaria os resultados eleitorais.

Brown disputa a eleição contra o senador republicano Jon Husted, ex-secretário de Estado de Ohio, que deu uma resposta condicionada, dizendo à Reuters que aceitaria "qualquer eleição certificada que seja bem conduzida". Husted interrompeu uma pergunta sobre possível interferência, dizendo: "Pare! Pare! ... Tenho grande confiança no sistema eleitoral de Ohio. Pare de tentar levantar questões onde elas não existem".

Husted acrescentou: "O restante do país não tem um bom sistema".

Na Carolina do Norte, um porta-voz da campanha do candidato democrata Roy Cooper citou novas restrições estaduais ao voto, afirmando: "Precisamos garantir que todos os votos sejam contabilizados, e Roy Cooper aceitará os resultados da eleição depois que o processo legal de contagem for concluído".

Cooper concorre contra o republicano Michael Whatley pela cadeira do senador republicano Thom Tillis, que está se aposentando. Whatley, cuja campanha não respondeu às perguntas da Reuters, ajudou a liderar os esforços de Trump em 2024 para contestar os sistemas eleitorais estaduais quando era presidente do Comitê Nacional Republicano. Um eleitor deposita seu voto em uma seção eleitoral dentro do Boone Links Golf Course Clubhouse durante as eleições primárias em Florence, Kentucky, EUA, na terça-feira, 19 de maio de 2026. Jeffrey Dean/Bloomberg

Crença na democracia Em Michigan e Nebraska, os democratas afirmaram categoricamente que aceitariam os resultados eleitorais, enquanto os republicanos evitaram responder à pergunta.

"Acredito na democracia. Aceitarei os resultados desta eleição independentemente de quais sejam", disse em comunicado o democrata Abdul El-Sayed, que disputa uma eleição acirrada contra o republicano Mike Rogers em Michigan.

Um porta-voz da campanha de Rogers respondeu: "Essa hipótese é irrelevante porque Mike vencerá em 3 de novembro".

O independente Dan Osborn, de Nebraska, que concorre contra o senador republicano Pete Ricketts, "sim, certamente" aceitaria o resultado da eleição, segundo um porta-voz da campanha.

A campanha de Ricketts respondeu: "Nebraska tem eleições livres e justas, e os eleitores podem confiar nelas. O senador Ricketts pretende vencer esta disputa".

A democrata Annie Andrews, da Carolina do Sul, aceitará os resultados de sua disputa, segundo sua campanha.

Sua adversária, a senadora republicana Darline Graham, que concorre para ocupar permanentemente a cadeira de seu falecido irmão, Lindsey Graham, "não está considerando nada garantido nesta eleição", segundo um porta-voz de sua campanha, que previu sua vitória.

Na apertada disputa pela cadeira do senador John Cornyn, do Texas, nem a campanha do democrata James Talarico nem a do republicano Ken Paxton responderam às solicitações de comentários. Adesivos de votação ficam sobre uma mesa em um local de votação no dia das eleições primárias, em Minneapolis, Minnesota, EUA, em 11 de agosto de 2026 REUTERS/Tim Evans

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