O rompimento entre Ciro Gomes (PSDB) e Cid Gomes (PSB), que posiciona os irmãos em chapas opostas, movimenta a disputa eleitoral cearense. Enquanto o tucano é candidato ao governo estadual e atua como líder da oposição ao petismo no Ceará, Cid tenta a reeleição ao Senado em aliança com o governador Elmano de Freitas (PT).
'Nunca tinha visto algo dessa magnitude no STF': Repórter conta como foi cobrir sessão histórica da Corte Lula reúne evangélicos no Planalto e critica uso político da religião: 'Se pedir para fazer campanha em igreja, não vou' O tema pautou um debate entre Ciro e Elmano transmitido pelo Uol na terça-feira. Questionado por um jornalista do veículo, o tucano optou por não responder se teria chamado o irmão de traidor durante discussão no ano passado.
— Dói muito, e eu tive que procurar inclusive assistência psicológica. Minha mulher me ajudou muito. Então, se você me permitir, eu peço a você permissão para não responder qualquer tipo de pergunta sobre este assunto — afirmou Ciro.
Elmano, então, utilizou o espaço para defender Cid. Segundo o petista, o candidato ao Senado "nunca traiu ninguém".
O rompimento familiar também foi abordado por Cid durante sabatina transmitida pelo Diário do Nordeste na segunda-feira. O candidato ao Senado afirmou querer uma reconciliação com Ciro, mas destacou que a reaproximação não é um desejo do tucano.
— Não vou dar detalhes aqui, mas todo tipo de agressão a mim pessoalmente ele fez — disse Cid. — Eu estou do mesmo lado, que eu considero o lado certo. Ele mudou de lado, foi se juntar a bolsonaristas e a lideranças que sempre foram raivosos, odientos em relação às nossas gestões aqui no estado do Ceará.
Rompimento familiar Cid e Ciro estão afastados há quatro anos, quando discordaram sobre quem deveria ser o candidato do PDT no pleito estadual de 2022. O senador defendia a continuidade da então governadora Izolda Cela, que assumiu o Palácio da Abolição após Camilo Santana (PT) deixar o cargo. Já Ciro bancou a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio. O objetivo de Ciro era ter um palanque no estado em sua campanha à Presidência, uma vez que a então governadora indicava apoio a Luiz Inácio Lula da Silva.
O PT optou por romper com o PDT — então partido de Ciro, Cid e Izolda — após a sigla escolher Roberto Cláudio. A sigla, então, lançou Elmano ao governo, sendo eleito com 54,02% dos votos. Um ano depois, em novembro de 2023, Cid saiu do PDT e migrou para o PSB, isolando ainda mais Ciro. Há época, houve a debanda de cerca de 50 prefeitos de municípios cearenses, além de deputados estaduais e federais. Já, no ano passado, Ciro se filiou ao PSDB para as eleições de 2026.
O Globo