Doença de Newcastle: vendas de carnes de aves para a China devem sofrer bloqueio temporário

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Fonte da notícia: Globo Rural Globo Rural

O setor frigorífico brasileiro já considera como certo o bloqueio temporário das vendas de carne de aves de todo o país para a China, seu principal cliente, por conta da identificação de um foco da Doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Santa Catarina (SC).

O protocolo sanitário entre brasileiros e chineses prevê que o Brasil aplicará uma auto suspensão nesses casos, como ocorreu em 2024. Não há prazo definido para o retorno do comércio à normalidade. Questionado mais cedo sobre o tema, o Ministério da Agricultura não confirmou se haverá auto suspensão das vendas para algum destino. A Pasta informou, na coletiva de imprensa, que está realizando um levantamento em todos os protocolos assinados com países importadores e que seguirá o que dizem esses acordos, mas que vai pleitear a manutenção do comércio. O comunicado oficial do Brasil para a China sobre o foco da doença de Newcastle deverá ser enviado ainda nesta segunda-feira (19/10), segundo fontes a par do tema. Atualmente, 61 estabelecimentos, entre frigoríficos e entrepostos, são autorizados a exportar carne de aves aos chineses. Leia também É seguro comer carne de peru? Veja o que se sabe sobre foco da doença de Newcastle Doença de Newcastle: veja ações após foco confirmado em Santa Catarina Doença de Newcastle pode atingir humanos? Saiba o que é e quais os sintomas Em 2024, quando um foco da doença de Newcastle foi confirmado em Anta Gorda (RS) após 18 anos sem registros no país, as suspensões de comércio afetaram ao menos 44 destinos e cerca de 7% da produção nacional, segundo estimativas divulgadas pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Naquele episódio, a suspensão das vendas para a China de empresas de todo o país ocorreu dois dias após a confirmação do foco, em 19 de julho de 2024. Os chineses retomaram as compras já em agosto, mas mantiveram embargo para frigoríficos do Rio Grande do Sul. O bloqueio às plantas gaúchas durou até janeiro de 2026. De janeiro a setembro, os embarques somaram 4,421 milhões de toneladas, alta de 14% em relação às 3,877 milhões de toneladas exportadas no mesmo período de 2025, de acordo com dados da ABPA. A receita acumulada alcançou US$ 8,673 bilhões, aumento de 21% ante os US$ 7,166 bilhões registrados no ano anterior. Os principais importadores são China, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Também deverá haver autoembargo para a União Europeia, mas com efeito reduzido. O protocolo para lá prevê suspensão das vendas dos estabelecimentos localizados no raio de 10 quilômetros do foco, o que envolve 133 granjas comerciais identificadas pelo Ministério da Agricultura. As exportações de carnes de aves para o bloco, no entanto, já estão suspensas desde 3 de setembro por conta do não atendimento de exigências para controle de uso de antimicrobianos. Esse tema específico será analisado pelos europeus em reunião do comitê técnico (Scopaff, na sigla em inglês) nesta semana e há perspectiva de liberação do mercado em novembro. Fontes do setor consideram que pode haver também impacto nas vendas para a Arábia Saudita, pois o protocolo prevê suspensão de vendas do Estado onde o foco foi identificado. Santa Catarina é o segundo maior exportador de carne de frango, com quase 1 milhão de toneladas embarcadas neste ano para todos os destinos, atrás apenas do Paraná. Os Emirados Árabes Unidos, terceiro maior cliente comprador de carne de aves, aplica embargo apenas para estabelecimentos localizados no raio de 10 quilômetros do foco.

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