DO ALTO DO RIO UMA CENA AMAZÔNICA VIROU PRÊMIO NACIONAL

DO ALTO DO RIO UMA CENA AMAZÔNICA VIROU PRÊMIO NACIONAL - Foto
Fonte da notícia: O Liberal O Liberal

“Assustadoramente linda”. Foi assim que o fotógrafo barcarenense Ori Junior definiu a cena que encontrou ao sobrevoar o rio Pindobal, na divisa entre Cametá e Igarapé-Miri, durante o borqueio do mapará, em março deste ano. A fotografia aérea, que revela dezenas de embarcações reunidas em meio ao rio, acaba de ganhar medalha de bronze no Brasília Photo Show 2026, na categoria Fotografia Jornalística/Documental.

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A imagem nasceu durante uma expedição que começou ainda em terra firme. Ori e a equipe viajaram de carro até o interior de Cametá, onde passaram a noite. Antes do amanhecer, seguiram de lancha pelo rio em busca de um dos borqueios realizados no dia de abertura da pesca do mapará.

Como diferentes comunidades realizam a atividade simultaneamente, a equipe contou com a orientação dos condutores da embarcação para escolher o local. O destino foi o rio Pindobal, na divisa entre os dois municípios.

Ao chegar, Ori decidiu registrar a atividade por diferentes perspectivas. Primeiro, colocou o drone no ar.

“Foi quando subi o drone que consegui ter a verdadeira dimensão daquela atividade pesqueira. A quantidade de barcos, o colorido das embarcações e toda a agitação do evento formavam uma cena assustadoramente linda”, conta.

Depois das imagens aéreas, o fotógrafo trocou o drone pela câmera e entrou no meio da movimentação. De barco em barco, aproximou-se dos pescadores para registrar o trabalho e os detalhes da atividade.

Naquele momento, porém, a possibilidade de uma premiação sequer fazia parte dos planos.

“Minha preocupação era muito mais registrar aquela experiência da melhor forma possível do que pensar se alguma daquelas imagens poderia, um dia, ser premiada”, afirma.

O borqueio do mapará é uma prática tradicional de pesca coletiva do Baixo Tocantins. Os pescadores, distribuídos em diferentes embarcações, atuam de forma coordenada para cercar os cardumes. Para Ori, acompanhar o processo de perto foi tão importante quanto produzir as imagens.

“Conhecer a tradição do borqueio do mapará foi uma das melhores experiências que a fotografia me proporcionou até aqui. E não falo apenas de fotografar, mas de poder estar ali e vivenciar tudo de perto”, relata.

A experiência também ampliou o olhar do fotógrafo sobre a região. Ao acompanhar a atividade desde antes do amanhecer, ele pôde observar a organização e a habilidade dos pescadores em uma prática que atravessa gerações.

A fotografia premiada faz parte da produção documental de Ori Junior, que tem a Amazônia como um dos principais focos de seu trabalho. Paisagens, pessoas e manifestações culturais do Pará aparecem com frequência em seus registros.

“Poder conhecê-la, registrá-la e divulgá-la através da fotografia me deixa muito realizado como fotógrafo amazônico”, diz.

Em sua 11ª edição, o Brasília Photo Show reúne trabalhos em 20 categorias e seleciona fotografias para receber medalhas e integrar o livro oficial do festival. Entre 600 trabalhos selecionados, apenas 120 fotografias foram escolhidas para recebimento de estatuetas e medalhas. O bronze conquistado por Ori leva para um prêmio de alcance nacional um recorte do cotidiano do Baixo Tocantins e transforma em documento visual uma das expressões tradicionais da cultura amazônica.

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