Disparada do petróleo chacoalha juros globais e eleva chance de aperto do Fed neste ano
A correlação entre os mercados de juros globais e os preços do petróleo voltou a ganhar força nesta quarta-feira (8) e, diante da disparada nos preços da commodity com o recrudescimento das tensões entre Estados Unidos e Irã, o mercado voltou a reforçar apostas em taxas americanas ainda mais altas.
Na curva de rendimentos dos Treasuries, inclusive, o mercado reforça apostas de que o banco central americano pode elevar as taxas de juros.
O movimento ocorre antes do leilão de títulos de dez anos e da divulgação da ata da reunião de junho do Federal Reserve (Fed), que acontecem ainda hoje.
Por volta de 13h (de Brasília), toda a curva de juros americana operava em alta e em níveis simbolicamente importantes para os investidores.
A taxa da T-note de dois anos escalava 4,2 pontos-base, para 4,239%; o retorno do papel de dez anos avançava 3,6 pontos-base, para 4,593%; e o yield do T-bond de 30 anos subia 2,5 pontos-base, para 5,081%.
O aumento dos rendimentos dos Treasuries, assim, se reflete em uma leve mudança na precificação do cenário de juros do Fed à frente.
Para a reunião de julho, o mercado ainda precifica chance majoritária (65,3%) de manutenção das taxas americanas no intervalo atual, de 3,50% a 3,75%.
Já para a reunião de setembro, a probabilidade maior (71,0%) é de que haja ao menos um aumento de 0,25 ponto nos juros pelo Fed.
Até o fim do ano, a chance de ao menos uma elevação nas taxas está em 87,3%, de acordo com os contratos futuros dos fed funds, compilados pelo CME Group.
Com a escalada do petróleo, o mercado tira um pouco dos preços dos ativos parte do otimismo observado na semana passada, quando o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que as expectativas de inflação haviam diminuído.
Na ocasião, parte do mercado viu espaço para posições aplicadas em juros por entender que o pior da inflação poderia ter ficado para trás a partir das declarações do dirigente.
