Diplomatas estrangeiros em Brasília discutem uma estratégia para reconhecer rapidamente o vencedor do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, marcado para este domingo, 25. A iniciativa busca impedir que líderes internacionais antecipem o resultado da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), informou a agência de notícias Reuters nesta sexta-feira, 23.
Quatro embaixadores ouvidos pela Reuters afirmaram que as negociações ainda estão em andamento e dependem de consultas aos respectivos governos. A principal preocupação é com uma possível interferência do presidente americano, Donald Trump, ou do argentino Javier Milei, ambos aliados políticos da família Bolsonaro.
Dois diplomatas manifestaram receio de que os governos estrangeiros questionem o resultado caso Lula conquiste a reeleição por uma margem estreita. “Não me surpreenderia se Trump ou Milei declarassem Bolsonaro vencedor antes que as autoridades eleitorais o fizessem”, disse um embaixador, que falou sob condição de anonimato, acrescentando que temia que tal cenário pudesse provocar uma grande crise institucional.
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Na terça-feira, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro reagiu nesta a comentários feitos por Milei sobre a possibilidade de fraude no segundo turno, criticando “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”. Nas redes sociais, o argentino republicou um texto crítico ao presidente Lula, afirmando esperar que “o último truque sujo de campanha deles não inclua roubar a eleição”, classificando o brasileiro como “esquerdista ladrão”.
A preocupação ganhou força diante do histórico recente de Trump em eleições latino-americanas. Durante a apuração do pleito presidencial de Honduras, em 2025, o republicano levantou suspeitas de fraude sem apresentar provas e ameaçou consequências caso os resultados preliminares, favoráveis ao candidato apoiado pelo republicano, fossem alterados.
Continua após a publicidade Nas eleições brasileiras de 2022, o reconhecimento da vitória de Lula por governos estrangeiros, incluindo Estados Unidos e países da União Europeia, contribuiu para reforçar a legitimidade do resultado diante da resistência do então presidente Jair Bolsonaro em admitir a derrota.
O ex-mandatário foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Para os diplomatas estrangeiros, a rapidez do reconhecimento internacional será decisiva sobretudo em caso de uma vitória apertada do petista, hipótese que poderia alimentar novas acusações infundadas de fraude eleitoral.
Continua após a publicidade “Nosso principal objetivo é reconhecer o resultado de uma eleição que esperamos que seja realizada de acordo com bons padrões.
Temos confiança no sistema eleitoral brasileiro”, disse um embaixador europeu à Reuters, acrescentando que “a rapidez é a principal preocupação”. A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro tem 50,5% dos votos válidos, contra 49,5% de Lula, segundo a terceira rodada do levantamento do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), em parceria com a Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), divulgada nesta sexta-feira.
A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro da pesquisa, de 2,6 pontos para mais ou para menos. Publicidade
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