O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que os alvos da investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse não podem deixar o país nem se falar, para não atrapalhar as apurações. O ministro também determinou o recolhimento dos passaportes. Galã de 'Malhação' e pouca experiência com cinema: quem é Mario Frias, alvo de operação por filme sobre Bolsonaro Na mira da PF, 'Dark Horse' vai ser lançado depois da eleição e é alvo de duas investigações no STF; entenda Bela Megale: Mario Frias tem sete armas apreendidas pela Polícia PF em operação sobre 'Dark Horse' "DETERMINO que os seguintes investigados se abstenham de estabelecer qualquer comunicação, direta ou indireta, entre si (...) DETERMINO que os seguintes investigados não se ausentem do território nacional sem autorização desta relatoria, entregando à Polícia Federal, se o tiverem, o respectivo passaporte", escreveu Dino, apresentando em seguida a lista de alvos. Além de Frias, também foi alvo da operação a empresária Karina Gama, da produtora Go Up, responsável pelo filme. O magistrado também proibiu a Go Up de participar de licitações com o Poder Público. Entenda o caso A Polícia Federal fez uma operação nesta quinta-feira para investigar o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação mira o suposto desvio de emendas parlamentares para a realização da obra. Os agentes cumprem 49 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Frias destinou R$ 2 milhões em emendas em 2024 ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina. Os valores foram pagos em fevereiro e outubro de 2025. A operação é feita em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), e os mandados são cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. De acordo com a colunista Bela Megale, do GLOBO, sete armas de Frias foram apreendidas na operação.
Armas do deputado federal Mario Frias apreendidas pela PF Divulgação/PF Também foram alvos da operação Wemerson Marinho da Gama, ex-marido da Karina, e Raphael Augusto Azevedo, ex-chefe de gabinete de Mário Frias. Wemerson tinha uma empresa de consultoria empresarial que prestou serviços ao gabinete do deputado. Entidades relacionadas à Karina, como o ICB e a Go Up, estão entre os endereços onde ocorreram buscas. Agentes da PF estiveram na casa de Mário Frias, em Brasília Cristiano Mariz A PF afirma que o inquérito aponta a existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar as verbas recebidas para empresas subcontratadas de forma irregular, "sem comprovação efetiva dos serviços prestados". O suposto esquema teria ficado em vigor até julho deste ano. A Polícia Federal apura os supostos crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Porsche apreendido em operação sobre financiamento do Dark Horse Reprodução/PF "Levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado", escreveu a PF em nota. Entenda as investigações sobre Dark Horse Há no STF duas apurações distintas sobre o financiamento ao filme. A operação desta quinta tem relação com emendas parlamentares e está sob a relatoria de Dino. Este inquérito foi aberto após parlamentares relatarem ao ministro que deputados aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro destinaram, ao todo, R$ 2,6 milhões em emendas Pix em 2024 a uma ONG presidida pela sócia da produtora que fez o filme. São investigados, entre outros, repasses indicados por Mário Frias, que nega irregularidades. Assim, a investigação apura o possível desvio de recursos públicos para empresas ligadas à produção do filme. Dino autorizou que a PF tenha acesso a dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo, que já conduzia uma investigação sobre o tema e fez uma operação mirando a produtora. Um dos principais alvos da operação de hoje, Karina não tem nenhuma experiência em produzir longa metragens, mas é dona de entidades que recebiam emendas de vereadores e deputados para fazer eventos e projetos de literatura evangélica.
O maior contrato público fechado por Karina se deu entre a sua ONG Conhecer Brasil (ICB) e a prefeitura de São Paulo comandada por Ricardo Nunes (MDB), de R$ 108 milhões que saltou com aditivos para R$ 157 milhões. A contratação previa a instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi em áreas pobres da capital. A Polícia Civil de São Paulo desconfiou de irregularidades e abriu uma investigação para apurar suspeitas de fraude na licitação e execução do contrato.
Em junho, os policiais civis já haviam cumprido mandados de busca em endereços da produtora, da ICB e em duas casas atribuídas a Karina. Esse material foi compartilhado com a Polícia Federal após decisão de Flávio Dino. Outra investigação, cujo relator é o ministro André Mendonça, é um desdobramento do caso Master e começou após a revelação de conversas em que Flávio cobra repasses do baqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Mensagens mostraram que o presidenciável do PL pediu R$ 130 milhões a Vorcaro para o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos. Foi, então, aberta uma investigação para apurar se o dinheiro do banco Master, envolvido em fraudes milionárias, teria sido encaminhado para a produtora do filme, via um fundo sediado nos Estados Unidos. O inquérito também se debruça sobre a natureza da relação entre o banqueiro e Flávio. Há ainda a suspeita de que as verbas tenham bancado gastos no exterior do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos. Nesta semana, Mendonça homologou a delação premiada do operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. O empresário é dono da Entre Investimentos e Participações, usada para repasses de dinheiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção de “Dark Horse”. Como mostrou a coluna Malu Gaspar, 'Mineiro' confirmou à PGR ter realizado ao longo do ano passado sete transferências bancárias para o fundo Havengate que totalizam US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época) a pedido de Vorcaro.
O Globo