Dinamarca alerta para 'risco crescente' de ataque russo contra a Europa, em meio a incidentes atribuídos a Moscou

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Um relatório do governo da Dinamarca afirmou que há um “pequeno, mas crescente risco” de um ataque russo contra um dos países da Otan, a principal aliança militar do Ocidente, perto de suas fronteiras, e que a “guerra híbrida” de Moscou contra a Europa “está escalando”. O alerta se soma a declarações de outros líderes do continente que veem em incidentes recentes de segurança, de ciberataques a drones explosivos, sinais de que a Rússia quer expandir o conflito para além da Ucrânia, onde enfrenta problemas. “Não há perspectiva de que a Rússia alcance avanços significativos na guerra contra a Ucrânia nos próximos seis meses. Ao mesmo tempo, é altamente improvável que o presidente [Vladimir] Putin esteja disposto a ceder em seus objetivos fundamentais para a guerra”, detalha o documento, produzido pelo serviço de inteligência do país.

Perto de Kaliningrado: Helicóptero militar russo invade espaço aéreo da Polônia e leva país a mobilizar caças Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp A análise dinamarquesa cita casos como ataques com drones reportados pela Alemanha — em um deles, em Leizpig, um equipamento carregado de explosivos foi encontrado perto a dois aviões ucranianos usados para transporte de armas —, atos de sabotagem e a postura agressiva de embarcações russas no Mar Báltico. E conclui que Putin parece disposto a fazer ações ainda mais ousadas e violentas a curto prazo.

“O Serviço Dinamarquês de Inteligência de Defesa avalia que a Rússia intensificará a sua guerra híbrida realizando ataques mais frequentes contra o Ocidente e a Otan, com maiores consequências para os países-alvo do que no passado”,afirma o texto. “Isto pode incluir ataques cibernéticos destrutivos ataques que paralisam funções sociais críticas, bem como sabotam ataques que acarretam um alto risco de vítimas.” Embora considere “altamente improvável” uma invasão militar, a Dinamarca aponta para um “risco baixo, porém crescente, de que a Rússia lance um ataque militar limitado”. Um ato, na visão dos autores da análise, “desesperado”, com o objetivo de “desviar recursos europeus do apoio à Ucrânia e semear a divisão na Otan, caso a aliança não chegasse a um acordo sobre uma resposta coletiva”.

O alerta dinamarquês se soma a falas de líderes europeus, preocupados com a expansão da guerra de Putin. Na semana passada, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que “ninguém estava seguro”, ordenando o reforço de locais estratégicos contra ações de guerra híbrida.

Nas Nações Unidas, o premier britânico, Andy Burnham, alertou que russos estão usando “todos os meios à disposição” para “espalhar mentiras e desinformação”. Uma investigação na Alemanha comprovou que o drone em Leipzig poderia ter causado vítimas se fosse detonado, e o vice-premier polonês, Krzysztof Gawkowski, declarou que um incêndio em uma estação do sistema de internet por satélites Starlink foi um “ato de sabotagem”, que se enquadra na “nova doutrina russa de ataque”. — Precisamos estar mais preparados e entender que essa atividade está se tornando quase onipresente — afirmou o principal conselheiro militar da União Europeia, o general irlandês Sean Clancy, citado pelo New York Times.

Analistas independentes e serviços de inteligência, como o dinamarquês, acreditam que a Rússia não tem capacidade para um enfrentamento direto contra a Otan — uma “guerra total”, ao estilo clássico. Ao invés disso, o Kremlin busca testar a coesão da aliança militar, cujas fissuras internas se mostraram evidentes desde o retorno de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos. Ao fim do dia, Vladimir Putin quer entender qual é o limiar que faria os países acionarem o Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, que trata da defesa mútua.

Após elevar gastos: Otan busca acelerar inovação militar e vê oportunidades de parceria com o Brasil Existe ainda a aposta russa em mudanças no comando de países centrais, como a Alemanha e a França, com a chegada de forças políticas mais afáveis aos interesses de Moscou. Em agosto, os serviços de segurança alemães identificaram uma campanha em massa direcionada contra os rivais da Alternativa da Alemanha em eleições estaduais, associada ao Kremlin. O partido, cujos laços com a Rússia são conhecidos, defende abertamente o corte da ajuda militar e financeira à Ucrânia. Segundo o jornal El Mundo, a inteligência dos EUA alertou para possíveis ataques com drones contra Espanha, Itália e França, três países que realizam eleições em 2027 e onde há vozes contra a guerra.

— Não são necessariamente os países da linha de frente que serão o alvo. O alvo será onde estiver o ponto mais fraco da Europa — disse ao El Mundo Keir Giles, analista britânico especializado na estratégia militar russa. Mesmo diante dos alertas, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, pediu calma. — Todas as opções de resposta estão disponíveis, e usaremos o que for necessário — declarou a jornalistas em Nova York. — Putin está em uma situação difícil. Ele não está vencendo a guerra na Ucrânia. Pressão de Washington: Chefe da CIA alertou Moscou a não atacar países da Otan em viagem secreta, dizem fontes; Kremlin rejeita acusação como 'alarmista' A Rússia nega as acusações. Opresidente Vladimir Putin disse não ter a intenção de atacar o continente, “ao contrário do que dizem as elites europeias”, e um representante russo na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa descreveu o ambiente atual como de “histeria militar”. Sergei Lavrov, chanceler russo, afirmou em discurso na semana passada que o Ocidente cria “ruído geopolítico e de propaganda, e tenta semear o ódio contra a Federação Russa ao redor do mundo”.

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