Dieta por delivery: praticidade de pedir comida saudável por app pode melhorar os sintomas da depressão, aponta estudo
Pedir comida por aplicativo — desde que não seja só fast food, claro — pode fazer mais do que matar a fome. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, mostrou que tornar as refeições saudáveis mais convenientes por meio de serviços de entrega pode melhorar os sintomas de depressão.
“Um dos maiores obstáculos para uma alimentação saudável durante a depressão é que a própria depressão torna o planejamento, as compras, o preparo das refeições e a tomada de decisões muito mais difíceis”, disse Ashley Gearhardt, professora de Psicologia e principal pesquisadora do estudo.
Segundo Gearhardt, o serviço de entrega de comida, por exemplo, por aplicativos, reduziu esse fardo, tornando a escolha por uma alimentação saudável mais “fácil e conveniente”.
Estudos anteriores associaram dietas mais saudáveis e minimamente processadas à redução dos sintomas de depressão, mas seguir essas dietas pode ser difícil para pessoas que sofrem de fadiga, baixa motivação, estresse e dificuldades na tomada de decisões.
Os participantes desse estudo seguiram um plano alimentar de duas semanas com alimentos minimamente processados. Alguns receberam orientação nutricional e prepararam as refeições por conta própria, enquanto outros receberam refeições prontas e minimamente processadas por meio de um serviço de entrega comercial.
Ambos os grupos melhoraram a qualidade de suas dietas, mas os participantes que receberam as refeições por entrega apresentaram reduções maiores nos sintomas depressivos.
A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, segundo os autores, é pequena e foi concebida principalmente para testar a viabilidade, e não para fornecer conclusões clínicas definitivas. Entretanto, eles afirmaram que as descobertas são importantes para somar às crescentes evidências de que a nutrição pode desempenhar um papel significativo no tratamento da saúde mental e que a praticidade pode ter benefícios únicos.
“Devemos pensar na nutrição como mais uma ferramenta importante no arsenal da saúde mental, e não como um substituto para terapia ou medicação”, afirmou Gearhardt.
Muitos participantes do estudo já estavam recebendo terapia, medicação ou ambos, mas continuavam a apresentar sintomas depressivos. Os pesquisadores afirmam que o estudo destaca como tornar a mudança alimentar mais conveniente e com maior apoio pode complementar esses tratamentos.
Embora sejam necessários estudos maiores e de longo prazo, os pesquisadores afirmam que os resultados do projeto piloto sugerem que os programas de entrega de refeições e apoio nutricional podem, um dia, se tornar parte das abordagens de saúde para populações vulneráveis, incluindo pessoas com depressão grave, mães no pós-parto ou indivíduos em transição da internação psiquiátrica.
