Diálogo com Alcolumbre, força de Motta na Câmara e ministros de Lula no plenário: os bastidores da aprovação do fim da escala 6x1

Diálogo com Alcolumbre, força de Motta na Câmara e ministros de Lula no plenário: os bastidores da aprovação do fim da escala 6x1

 

Fonte: Bandeira



A Câmara dos Deputados aprovou com larga margem de votos a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da jornada 6x1 numa sinalização da força do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e num dia marcado pela disputa entre governistas e opsição acerca da matéria.

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Foram 472 votos favoráveis e 22 contrários em primeiro turno. No segundo turno, logo em seguida, foram 461 a 19. A avaliação de lideranças ouvidas pela reportagem é que Motta sai fortalecido desse processo, num momento em que a Câmara vinha sendo criticada por parte da sociedade civil. Além disso, por ser uma pauta popular e de grande alcance, o presidente da Câmara se empenhou para destravar a proposta numa tentativa também de colher ganhos eleitorais.

Como O GLOBO mostrou, o presidente da Câmara também esteve em estreito diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Nos últimos dias, os dois políticos conversaram ao menos três vezes, segundo relatos. Alcolumbre tem afirmado em conversas reservadas que não vai segurar a matéria no Senado tampouco vai acelerar sua tramitação, mas o rito ainda não está definido.

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Ele deve procurar presidentes de comissões e líderes partidários nos próximos dias para discutir o tema, mas o calendário é considerado apertado para aprovar a PEC antes do início do recesso parlamentar (que começa, oficialmente, em 18 de julho). Também é apontado como um empecilho o fato de Alcolumbre e Lula não estarem se falando, num momento de tensionamento da relação da cúpula do Senado e o Palácio do Planalto. Após o resultado na Câmara, no entanto, parlamentares reconhecem que isso pressiona Alcolumbre para não criar dificuldades à tramitação da matéria no Senado.

O tema da redução de jornada de trabalho é considerado prioritário para a gestão petista e potencial bandeira para ser explorada na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano.

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Motta negociou diretamente com Lula os termos do texto que foi levado à votação. Ele também antecipou cronograma inicial, que previa votação em plenário nesta quinta, para evitar que o texto sofresse distorções e mudanças. Nesta quarta, alguns ministros do governo federal acompanharam a sessão, entre eles Luiz Marinho (Trabalho), José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência). Assim que o texto foi aprovado, governistas subiram à Mesa para cumprimentar Motta. Marinho afirmou à reportagem que buscaria um lugar mais silencioso para telefonar ao presidente Lula para comunicar do resultado.

A sessão foi marcada por bate-boca entre oposicionistas e governistas — e momentos de descontração, como quando Otoni de Paula (PSD-RJ) cantou a música “Para Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, sendo acompanhado pelos presentes. De um lado, aliados de Lula falaram que era um dia histórico e que a Câmara dava uma grande contribuição à sociedade e aos trabalhadores. De outro, oposicionistas falaram que a medida só estava avançando por ter interesses eleitorais como pano de fundo e criticaram o governo Lula.

Numa tentativa de constranger o governo, o PL anunciou na véspera da votação que a bancada — a maior da Câmara— defenderia a votação de um texto alternativo, que buscava a redução para a escala 4x3, ou seja, três dias de folga ao trabalhador. Isso porque obrigaria o governo e a esquerda a voltarem contra uma proposta de maior alcance aos trabalhadores.

Numa manobra regimental, Motta enterrou a proposta em votação simbólica (quando não há divulgação dos votos em painel), blindando parlamentares de deixarem sua digital na votação. Mais cedo, em votação na comissão especial, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), foi vaiado por militantes de movimentos sociais. No plenário, à noite, ele se queixou em falas direcionadas a Motta sobre o que considerou um açodamento do rito regimental. Na hora da votação, no entanto, o PL orientou sua bancada a votar favoravelmente ao texto.