Dia do choro: orquestra dedicada ao gênero prepara primeiro álbum

 

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 A Orquestra Pizindim, de Brasília, lança nesta quinta-feira (23) – Dia Nacional do Choro - o single “O pulo do sapo”, maxixe composto por Leonardo Benon (Léo Benon), cavaquinista do conjunto, em homenagem a Evandro Barcellos (1961-2016), um dos criadores do Clube do Choro em Brasília (1977).


A música está disponível nas plataformas digitais sonoras. É a primeira faixa liberada do álbum da Orquestra Pizindim, banda com 13 membros fixos - virtuosos musicistas com instrumentos de sopro, cordas e percussão que, assim como Evandro Barcelos, faz história na capital federal como a primeira orquestra dedicada ao choro.


Notícias relacionadas:Trem do Choro chega à 13ª edição homenageando Nilze Carvalho .O Pulo do Sapo e outras faixas do disco virtual serão executadas ao vivo na Escola de Música de Brasília - no Teatro Levino de Alcântara, às 20h de amanhã (sexta-feira, 24). Como o álbum ainda está em finalização, e sem data para lançamento, está será a primeira oportunidade de ouvir algumas faixas em primeira mão.


Os músicos que formam a Pizindim se juntaram pela primeira vez há três anos, para festejar, como agora, o Dia Nacional do Choro. A data foi oficializada no ano 2000, após iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda, no tempo que ele morava em Brasília.


Apelido de infância


O álbum da Orquestra Pizindim articula boa parte da história do choro, a começar pelo nome. “Pizindim” é uma referência direta a Alfredo da Rocha Vianna Filho, o instrumentista, compositor e maestro Pixinguinha (1897-1973). Pizindim era apelido de infância do futuro músico, consagrado como um dos maiores artistas brasileiros.


Orquestra Pizindim lança primeiro álbum e faz show em Brasília - Foto Orquestra Pizindim/Divulgação


A Orquestra Pizindim se dedicou a um legado ainda pouco reverenciado de Pixinguinha: seu trabalho como arranjador desde o final dos anos 1920 até a década de 1950.


“Acho que só quem é do universo do choro é que sabe de fato quem é Pixinguinha e qual é a sua importância. A maioria das pessoas o conhece apenas como o compositor de ‘Carinhoso’, diz Bruno Patrício, saxofonista, diretor musical da Orquestra Pizindim e produtor executivo do álbum no prelo.


Central do Brasil


Três faixas já gravadas do álbum da Orquestra Pizindim lançam luz e som sobre os arranjos de Pixinguinha.


Duas delas, a valsa “Só tu não sentes” e a marchinha “Tenho um desejo”, foram compostas por um pianista carioca identificado como J. F. Fonseca Costa ou apenas “Costinha”.


Do mesmo tempo de Ernesto Nazareth (1863–1934), Costinha trabalhava na Estrada de Ferro Central do Brasil, que àquela época ligava Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais e empregava muitos chorões - como o violonista Satyro Bilhar (1848-1926), e os compositores Cândido das Neves (1899-1934) e Juca Kalut (1857-1822).


As partituras dos arranjos de Pixinguinha para as duas músicas datam de 1957, conforme o acervo organizado e preservado pelo Instituto Moreira Salles, no Rio. “São dois arranjos inéditos para músicas, praticamente, inéditas”, assinala Bruno, fazendo menção a poucas gravações que hoje estão esquecidas.


Outra música tratada com a mão de arranjador de Pixinguinha, e redescoberta pela Orquestra Pizindim, é a polca "Alfredinho no Choro". Ela foi gravada originalmente em 1910, mas em 1949 ganhou novo arranjo de Pixinguinha. A música é de Alfredinho Flautim, nome artístico de Alfredo José Rodrigues (1894-1958).


Influência do jazz


O repertório do próprio Pixinguinha está registrado em duas faixas do álbum. Uma delas é o maxixe “Dando topada”, que fez parte da trilha sonora do primeiro filme de ficção produzido no Pará, “Um dia qualquer", dirigido por Líbero Luxardo em 1965.


A música tem esse nome, provavelmente, pelas pausas súbitas na sua execução, explica Bruno Patrício. “Sempre tem uma topada ali para todos os instrumentos”, acrescenta.


A outra música de Pixinguinha no álbum, e também no show, da Orquestra Pizindim é o choro “Carinhoso”. A música é uma das canções mais regravadas no Brasil, porém antes do sucesso seguiu caminho tortuoso.


Foi composta em 1917, mas só foi impressa em disco em 1928. Mal recebida pela crítica, por suposta influência do jazz, só chegou ao sucesso casualmente em 1937 com Orlando Silva. O “cantor das multidões” gravou a canção um ano depois de João de Barro (Braguinha) fazer a letra para incluí-la no espetáculo “Parada das Maravilhas”.


Tendo Carinhoso uma história longa e diversa, Bruno Patrício optou por fazer um arranjo a partir de diferentes montagens musicais da canção. “Fui pescando o que eu achava de mais representativo”, conta.


Choro contemporâneo


Além de apresentar um repertório que carrega a memória do cancioneiro brasileiro, a Orquestra Pizindim mostra que o choro é nosso contemporâneo em canções dos seus próprios músicos. É o caso da citada “O pulo do sapo”, da “Salve João da Baiana” e “Maxixe Pizindim”, as duas últimas compostas por Bruno Patrício.


As faixas restantes do álbum são de Paulinho da Viola e de Hamilton de Holanda. Do bandolinista, a Pizindim executa “Maxixe do César” - uma homenagem de Hamilton ao seu irmão Fernando César, violonista (7 cordas) integrante da orquestra - e figura obrigatória em qualquer lista de grandes chorões da atualidade.


A canção escolhida de Paulinho da Viola é o choro “Só o tempo”, composta em 1982. A letra da música fala de aprendizagens amorosas e do “saldo de sentimentos” no decurso da vida. Na gravação, todos os naipes da Pizindim acompanham a cantora Ana Reis, também de Brasília, um pedaço da história do choro.


O álbum da Pizindim começou a ser gravado em novembro do ano passado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal. Se tiver patrocínio em outros editais de cultura, o disco poderá ganhar uma versão física em LP, e a orquestra percorrerá as capitais estaduais para mostrar sua versão do gênero musical.


Serviço


Orquestra Pizindim


- Single “O pulo do sapo” (de Léo Benon), a partir de hoje nas plataformas sonoras


- Show de pré-lançamento na Escola de Música de Brasília (Teatro Levino de Alcântara), no SGAS II SGAS Quadra 602, amanhã (sexta, 24), às 20h


- A Orquestra Pizindim* é formada por:


Adil Silva (bombardino e trombone)


Alex Diego (1º trompete)


André Lindolpho (Sousafone)


Bruno Patrício (saxofone e direção musical)


Enrique Sanches também listado)


Fernando César (violão 7 cordas)


Israel Ronner (tuba)


Jéssica Carvalho (percussão)


Juninho Alvarenga (percussão)


Júnior Viegas (percussão)


Leander Motta (bateria)


Léo Benon (cavaquinho)


Nathália Marques (percussão)


Peniel Ramos (2º trompete)


Renata Menezes (clarineta)


Sérgio Morai (flauta e flautim)