Dez dos 16 alvos da operação que investiga elo do PCC com transporte de SP foram presos

Dez dos 16 alvos da operação que investiga elo do PCC com transporte de SP foram presos - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

O delegado Fabrício Intelizano, titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes (SP), afirmou que foram presas 10 das 16 pessoas alvos de mandados de prisão, busca e apreensão no âmbito da "Operação Vectura Corrupta", deflagrada na manhã desta quinta-feira (17), pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).

Dentre eles, está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e o candidato a deputado estadual pelo PL Danilo Morgado, que concorreu à prefeitura de Praia Grande em 2020 e em 2024. Segundo as investigações, Oliveira teve "encontros periódicos" com um integrante do PCC a fim de tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transportes. Já Morgado teria tido a campanha de 2024 financiada pela organização criminosa.

Um dos alvos, o ex-vereador Milton Leite, que foi presidente da Câmara de Municipal de São Paulo por seis mandatos e é um dos principais aliados políticos do prefeito Ricardo Nunes (MDB), não foi encontrado. Ao Valor, Leite negou as acusações, disse que estava viajando e que se apresentaria às autoridades em até 24 horas.

O delegado descartou que tenha havido um vazamento da operação, apesar do ex-vereador não ter sido encontrado, assim como outros cinco suspeitos. "A gente não pode afirmar isso de maneira categórica, tanto que a maioria dos alvos foram encontrados. Se tivesse ocorrido, de fato [o vazamento], qualquer tipo de situação assim, obviamente o resultado da operação teria sido outro", afirmou Intelizano, em entrevista coletiva.

Segundo o delegado, Leite ainda não é considerado foragido. “Temos informações de outros locais onde ele pode estar presente e nós estamos esgotando esses meios para, de fato, verificar se, eventualmente, alguém vai se encontrar nessa situação de foragido ou não", completou.

A operação de hoje é um desdobramento do material apreendido em outras operações realizadas em 2024 e 2025, como o celular de um integrante do PCC. A partir da análise das mensagens no aparelho, foi identificado que ele conversava com essas 16 pessoas, alvos da operação desta quinta-feira. Agora, a polícia vai investigar qual o grau de relacionamento mantido com esses 16 investigados.

"Nós identificamos 12 empresas de transporte que teriam envolvimento direto com o Primeiro Comando da Capital, que seriam controladas direta ou indiretamente por essa organização criminosa. Também identificamos outras empresas que atuariam em outras cidades do Estado de São Paulo, mas, majoritariamente, essas empresas atuariam na área da capital", completou.

A infiltração do crime no setor tem como objetivo a lavagem de dinheiro, acrescenta. "O crime organizado busca legalizar o dinheiro dos crimes que eles praticam colocando em circulação na economia formal, e uma dessas formas é por meio da participação em empresas. Em um determinado momento, eles vislumbraram que esse setor da economia [transportes] seria um setor viável para eles fazerem a colocação desse dinheiro, já que pela própria atividade gira muito o dinheiro, [considerando] a quantidade de passageiros que é transportada. Isso faz com que se tenha uma facilidade para o escoamento desse dinheiro ilícito", concluiu Intelizano.

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