‘Devolveram esperança ao mundo’: norte-americanos atribuem ao Brasil inspiração para derrotar Trump

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Fonte da notícia: Carta Capital Carta Capital

Publicações nas redes sociais após a vitória democrata nas eleições de meio de mandato dos EUA agradecem aos brasileiros e associam o resultado à reeleição de Lula A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que retirou dos republicanos o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, provocou uma onda de manifestações de agradecimento ao Brasil nas redes sociais. 

Em publicações na madrugada desta quarta-feira 4, usuários de diferentes países atribuíram ao País parte da inspiração para o resultado, em referência à reeleição do presidente Lula (PT) e à derrota de Flávio Bolsonaro (PL). As mensagens associam a experiência brasileira à possibilidade de derrotar movimentos de extrema-direita e discursos de ódio nas urnas.

Uma das publicações afirma que o Brasil provocou uma mudança na política internacional e devolveu a esperança ao mundo. “O Brasil realmente mexeu com alguma coisa.

Devolveu a esperança ao mundo, e vamos fazer isso país por país”, escreveu o usuário no X. A mesma percepção aparece em uma mensagem de Diego A.

Ballestero, que atribuiu aos brasileiros a demonstração de que é possível derrotar o que chamou de “algoritmo tecnofascista de ódio e morte”. “Estamos nos conectando e construindo redes de solidariedade além das fronteiras.

Eles queriam nos isolar, mas encontramos uns aos outros. Abraçamos todos vocês.

Vamos continuar avançando juntos!”, publicou. Outro usuário, identificado como Dorky, também atribuiu ao Brasil parte do crédito pelo resultado norte-americano.

“Sem ironia, o Brasil merece muito crédito pelo dia de hoje”, escreveu. A associação entre as duas eleições foi ainda mais direta em uma publicação de Mathias, que afirmou estar falando sério ao relacionar a vitória de Lula aos resultados nos Estados Unidos.

“Se Lula não tivesse vencido no Brasil, não teríamos os resultados que estamos vendo nos Estados Unidos agora”, escreveu. O jornalista Isaiah Martin também publicou uma mensagem de agradecimento aos brasileiros.

“Obrigado, Brasil, por nos mostrar o caminho! Vamos com tudo!”, escreveu. Também fez uma referência ao “grito de guerra” do deputado federal André Janones (Avante-MG), que se tornou meme nas redes sociais: “Explode!”.

Já o diplomata Mohammad Safa comparou os resultados eleitorais de diferentes países e projetou que o mesmo movimento chegará à União Europeia. “Aconteceu na Sérvia.

Aconteceu no Brasil. Acabou de acontecer nos Estados Unidos.

E acontecerá em breve na União Europeia”, publicou. Na sequência, Safa afirmou que os eleitores estão enviando uma mensagem clara aos políticos: querem representantes que unam a população, em vez de dividi-la, e que destinem recursos às necessidades dos cidadãos, em vez de financiar guerras e bilionários.

Em uma provocação ao presidente Donald Trump, o perfil Mike Madrid escreveu que o norte-americano talvez precisasse fugir para o Brasil, em referência à fuga de Flávio Bolsonaro para Miami. A referência ao Brasil também apareceu em uma publicação curta do perfil Just Jargons, acompanhada de uma bandeira brasileira.

“Tudo começou com o Brasil. Nunca se esqueçam”, escreveu.

As manifestações também remetem à mobilização digital organizada durante a campanha presidencial brasileira. Janones criou o “Exército do Lula”, uma rede de apoiadores que atuava na divulgação de conteúdos favoráveis ao petista.

A expressão também passou a ser utilizada em tom de brincadeira nas redes, inclusive em referências à influência que a mobilização brasileira teria exercido sobre disputas eleitorais em outros países. A repercussão dos resultados nos Estados Unidos também ocorre em meio à internacionalização de símbolos associados a Lula e à mobilização digital organizada durante a campanha brasileira.

O gesto de formar a letra “L” com os dedos, tradicionalmente associado ao petista, passou a ser reproduzido por lideranças e movimentos progressistas em outros países. Na Espanha, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau convocou participantes de um ato da coalizão Frente Ampla, em Madri, a erguer os braços em referência ao petista.

“Vamos todas levantar o braço com o ‘L’ de Lula”, afirmou. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, também recorreu à experiência brasileira durante um comício em Gijón, ao afirmar que “se o Brasil conseguiu, a Espanha consegue”.

No México, a presidenta Claudia Sheinbaum reproduziu o “L” ao comentar a vitória de Lula e classificou o resultado como “uma lufada de ar fresco para a América Latina e o Caribe”. CartaCapital Há 32 anos, a maior referência progressista em jornalismo no Brasil.

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo. A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou.

No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

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