A Romênia adiou para sexta-feira o plano de afundar quatro embarcações carregadas de pedras no rio Danúbio, alegando condições inseguras.
A decisão ocorre enquanto aumenta a corrida para desviar água do rio, afetado pela seca, para o único reator nuclear do país em funcionamento e ganhar mais alguns dias de operação em meio à escassez de energia elétrica.
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Os níveis recordes de baixa do Danúbio, cujas águas são usadas para resfriar as turbinas da usina, já obrigaram à paralisação de um dos reatores.
Para manter em funcionamento o único reator restante, as autoridades adotaram medidas inéditas, incluindo a detonação de uma formação rochosa no leito do rio no início desta semana.
O governo romeno preparou um sistema para reduzir gradualmente o fornecimento de energia à indústria, com aviso prévio, caso isso seja necessário, afirmou nesta quinta-feira o primeiro-ministro Ilie Bolojan.
Segundo ele, não há previsão de cortes nos próximos cinco a sete dias, ou enquanto o reator continuar operando.
Os dois reatores da usina de Cernavodă, operada pela Nuclearelectrica, respondem por cerca de um quinto da geração de eletricidade do país.
As hidrelétricas também sofrem com a seca, e as importações de energia são limitadas porque os países vizinhos enfrentam condições semelhantes.
A explosão realizada no leito do rio e a dragagem garantiram algum tempo adicional, mas um executivo da Nuclearelectrica afirmou que a empresa poderá desligar o reator remanescente em cinco ou seis dias caso o afundamento das barcaças não produza o efeito esperado.
"Se as barcaças gerarem um excedente de água, esse prazo será estendido para nove ou dez dias", disse Romeo Urjan, diretor da usina, à emissora privada Digi24.
A vazão do Danúbio na Romênia caiu nesta quinta-feira para o menor nível já registrado: 1.400 metros cúbicos por segundo, cerca de um terço da média histórica para o mês de agosto.
Assim como a usina romena de Cernavodă, a central nuclear de Paks, na Hungria, utiliza as águas do Danúbio para resfriamento, obrigando tanto Bucareste quanto Budapeste a ampliar as importações de eletricidade e pedir que famílias e empresas reduzam o consumo.
A agência estatal responsável pela gestão dos recursos hídricos planejava iniciar nesta quinta-feira o afundamento controlado das quatro embarcações, conhecidas como "barcaças", uma de cada vez, para criar uma barreira capaz de redirecionar parte da água de um braço do rio em direção à usina.
Urjan afirmou que o impacto da medida seria percebido apenas no dia seguinte.
Uma escavadeira carrega pedras em uma barcaça após a Marinha da Romênia realizar explosões controladas na segunda-feira no canal de Bala para desviar o fluxo de água do Danúbio em direção ao canal que abastece a usina nuclear de Cernavoda, em Izvoarele, Romênia , nesta imagem divulgada em 4 de agosto de 2026
Administração Nacional 'Aguas da Romênia'/Divulgação via REUTERS
"Essa é uma resposta extraordinária, mas não deve ser confundida com uma estratégia energética", afirmou o ING Bank em relatório sobre a intervenção no Danúbio.
"Explodir rochas no leito de um rio pode manter um reator em funcionamento por mais alguns dias, mas não cria nova capacidade de geração, não reforça as interconexões internacionais nem acelera a implantação de sistemas de armazenamento de energia."
Membro da União Europeia, a Romênia gera eletricidade por meio de uma matriz composta por gás natural, carvão, hidrelétricas, energia nuclear e fontes renováveis, mas precisa investir bilhões de euros para substituir instalações antigas e ampliar a capacidade de armazenamento em baterias e as interligações com as redes elétricas de outros países.
