Metade das escolas brasileiras (51%) proíbe que alunos levem celulares às instituições.
É o que mostra a edição de 2025 da pesquisa TIC Educação, que investiga o acesso, o uso e a apropriação de tecnologias digitais em unidades de ensino público e privado no país.
Já outros 40% das instituições de ensino adotam regras para armazenar os dispositivos.
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Os dados mostram que 24% das escolas afirmam determinar que os alunos guardem o telefone celular em bolsos ou acessórios de uso individual, como mochila ou estojo.
Já 16% afirmam que os estudantes precisam deixar o aparelho em locais disponibilizados pela instituição, como caixas, armários ou outros espaços.
Outras 9% não responderam ou não aplicam medidas neste âmbito.
Se considerado apenas o Ensino Médio, 31% das escolas proíbem que os celulares sejam levados para as instituições.
Este é o menor percentual de proibição entre os segmentos escolares.
Segundo o estudo, o debate sobre o impacto do uso de tecnologias no bem-estar dos estudantes alcançou 8 em cada 10 escolas (80%) nas reuniões com pais e professores.
O tema teve uma escalada expressiva, crescendo 18 pontos percentuais em apenas um ano (era 62% em 2024).
Uso pedagógico
A pesquisa mostra também que o uso pedagógico do aparelho pessoal do aluno é maior entre os estudantes de Ensino Médio e nas regiões Norte (37%), Nordeste (36%) e áreas rurais (37%) — estratos que enfrentam maiores dificuldades de conectividade, como a falta de computadores para os estudantes.
Na prática, os dados apontam que o Brasil usa mais o celular na aprendizagem como um substituto do computador do que com metodologia própria para as características do aparelho.
O estudo ressalta também que apenas 23% das escolas brasileiras possuem equipamentos para aulas de robótica e 22% contam com recursos para atividades maker (aprender fazendo, na tradução do inglês).
A disparidade é nítida entre as redes: escolas estaduais têm quase o triplo de acesso a recursos de robótica (38%) em comparação com as escolas municipais (13%).
Sobre a inteligência artificial, o estudo aponta que embora 53% dos gestores já usam a tecnologia na administração e 37% das escolas permitem que alunos a usem em atividades, apenas 22% das instituições possuem algum guia ou diretriz formal de uso.
Os pesquisadores realizaram entrevistas telefônicas entre agosto de 2025 e abril de 2026.
A amostra reúne 2.404 escolas, sendo 1.555 urbanas e 849 rurais.
