Desembargador do TRF-2 mantinha arsenal com fuzil, revela relatório da PF

 

Fonte:


O relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) revela que a Polícia Federal apreendeu um arsenal com 13 armas de fogo em endereços ligados ao desembargador federal Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Entre elas está um fuzil calibre 5.56, classificado como arma de uso restrito.

Provas: o que a PF usou para indiciar Bacellar e mais quatro por vazamento de investigações

A lista de Bacellar: Anderson Silva, Bap e Landim: Bacellar listou nomes que poderiam integrar seu governo caso fosse eleito

Além do fuzil, os autos listam quatro espingardas calibre 12, cinco pistolas e dois revólveres, além de munições de diferentes calibres. O conjunto inclui armamento de calibre 5.56 e armas longas. No Rio , os agentes apreenderam um fuzil 5.56 SEPOL com carregadores e 100 munições do mesmo calibre, além de uma pistola Beretta 9mm com três carregadores e 20 munições.

Em imóvel no Espírito Santo, foram recolhidas cinco pistolas — Glock calibre .380, Smith & Wesson, Coonan Arms calibre .357, Taurus 9mm e Walther calibre .22 — além de dois revólveres, um Smith & Wesson e um Colt .357. Também constam quatro espingardas calibre 12, das marcas Pardus, CBC, Mossberg e Boito, e munições adicionais.

Macário foi preso na segunda fase da Operação Unha e Carne, que apura o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun. A investigação também levou ao indiciamento do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, e do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, o TH Jóias.

Segundo a Polícia Federal, Macário atuou na Operação Zargun e foi relator do processo envolvendo TH Joias. A corporação investiga o vazamento de informações da operação para integrantes do Comando Vermelho e aponta a atuação de agentes públicos na trama. A Unha e Carne II é desdobramento do mesmo inquérito que atingiu Bacellar.

Apesar dos elementos reunidos, a Polícia Federal não imputou crimes diretamente ao magistrado em razão do cargo que ocupa e da vedação prevista na Lei Orgânica da Magistratura. Os achados envolvendo o desembargador foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República, que decidirá se apresenta denúncia ao STF.

O relatório também descreve que, em dezembro do ano passado, Macário pagou mais de R$ 3 mil por uma passagem aérea para São Paulo para se encontrar com o ex-presidente Michel Temer. De acordo com a Polícia Federal, o magistrado demonstrava pressa na viagem na “esperança” de que Temer pudesse “interceder a seu favor” junto ao relator do caso no STF para “frear” a investigação sobre o vazamento de informações à facção criminosa Comando Vermelho.