Desafiados pela polarização, Eduardo Leite e Ratinho Jr. vivem cenários distintos para emplacar sucessores

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Inicialmente cotados para disputar a Presidência, os governadores Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, trabalham para eleger seus sucessores ainda no cargo. Desafiados por disputas polarizadas entre a esquerda e a direita, os dois têm alcançado níveis de sucesso distintos. Com a ajuda do chefe do Executivo paranaense, o ex-secretário estadual de Infraestrutura Sandro Alex (PSD) cresceu em intenções de voto, enquanto o vice-governador gaúcho Gabriel Souza (MDB) patina nas pesquisas a uma semana do primeiro turno. Aprovação, regulamentação e proibição: Dos governos Temer a Lula, como foram os oito anos das bets no Brasil Datafolha: Flávio Bolsonaro lidera em São Paulo e Rio, Lula alcança ampla vantagem em Pernambuco, e Minas tem empate Os dois governadores começaram o ano tentando se viabilizar no PSD como candidato ao Palácio do Planalto. Mesmo sendo considerado favorito, Ratinho abriu mão da postulação e decidiu continuar no comando do Paraná até o final do mandato. Já Leite foi preterido pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que chega à reta final da campanha presidencial com 4% das intenções de voto, distante do presidente Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo a Quaest. Impedidos de concorrer a um novo mandato e fora da disputa nacional, Ratinho e Leite passaram a atuar para transferir seu capital político aos aliados em seus respectivos estados. Com a gestão aprovada por 80% dos paranaenses, Ratinho conseguiu, na reta final da campanha, transformar Sandro Alex em um candidato competitivo contra o senador Sergio Moro (PL), que lidera as pesquisas e é endossado pelo presidenciável Flávio Bolsonaro. Em julho, antes do início da campanha, o candidato do PSD ao governo do Paraná tinha na Quaest 9%, que foram para 15% depois do início da propaganda na televisão. Na rodada desta semana, ele marcou 20% e passou a figurar em empate técnico com o segundo colocado, o deputado estadual Requião Filho (PDT), apoiado pelo presidente Lula. Moro, no entanto, segue na frente, com 36%. Reforço na TV Como cartada por trás do crescimento do aliado, Ratinho tem sido presença recorrente nas inserções de Sandro Alex na TV e nas agendas pelo interior do estado, apresentando-o como “homem das obras” que marcaram sua gestão. Para intensificar a presença na campanha, o governador se licenciou do comando do estado 15 dias antes do primeiro turno e escalou o pai, o apresentador Ratinho, para participar de comícios. Leite, por sua vez, enfrenta um cenário mais desafiador. Na pesquisa Quaest divulgada esta semana, o vice pontuou 10%, atrás do deputado Luciano Zucco (PL), com 29%, e da ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), com 23%. O levantamento também indicou que o índice de aprovação de sua gestão (52%) é inferior ao de Ratinho Junior. Em seu desfavor ainda há o histórico do estado, que tradicionalmente não reelege governadores e resiste a tentativas de mandatários de emplacar substitutos. A mesma dificuldade quase deixou Eduardo Leite fora do segundo turno em 2022, quando disputava a reeleição contra Onyx Lorenzoni (PL) e Edegar Pretto (PT). Naquele ano, Leite terminou a primeira etapa com 26,81% dos votos válidos, apenas 2.441 votos à frente de Pretto, que teve 26,77%. A proximidade daquela disputa ajuda a dimensionar o desafio que agora recai sobre Gabriel Souza. Ele aparece espremido entre Luciano Zucco, associado ao bolsonarismo, e Juliana Brizola, que carrega uma tradição política na esquerda. Para o cientista político Leandro Consentino, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), os dois partem de uma dificuldade comum: tentam disputar uma eleição influenciada diretamente pela polarização nacional sem ocupar nenhum dos polos. Outro ponto de contato, segundo ele, é o fato de Ratinho Junior e Leite terem permanecido no cargo em vez de se desincompatibilizarem para disputar uma eleição nacional. — A questão da polarização é um desafio. De um lado, o PL é a personificação da candidatura bolsonarista, e o PDT se identifica com o PT e com a esquerda. Os dois casos têm uma semelhança, que é a não desincompatibilização desses ex-governadores. Tanto Ratinho quanto Leite tentaram ser presidenciáveis, não conseguiram se candidatar e estão competindo na cadeira de governador, e isso não ajuda a decolar as candidaturas de seus sucessores. Obstáculos O efeito, porém, não é exatamente igual nos dois estados. Para Consentino, Sandro Alex sofreu com a demora na construção de sua candidatura, após ter sido definido como nome do grupo de Ratinho depois de outros três candidatos terem sido considerados. O ex-secretário, no entanto, tende a colher os frutos da boa avaliação da gestão do aliado. Já Gabriel, por ser vice-governador, tem uma posição mais consolidada dentro do projeto de continuidade, na visão do cientista político, e herda, aos olhos dos eleitores, os problemas da gestão Leite, marcada pelas enchentes que atingiram o estado. — No caso do Ratinho, o candidato foi tirado do bolso do colete do governador aos 45 minutos do segundo tempo. O Gabriel, por sua vez, era uma continuidade posta, mas deveria ter tido um trabalho mais longevo de construção dessa candidatura. O próprio Leite teve uma vida menos tranquila, e o Gabriel herda um pouco esse ônus. As campanhas em cinco pontos Polarização como obstáculo: nomes de esquerda e de direita vão melhor nas pesquisas que os apoiados pelos governadores. No Paraná, Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT) estão à frente de Sandro Alex (PSD). No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT) superam Gabriel Souza (MDB). Desistência de voo nacional: os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Junior (PR) estavam cotados para concorrer à Presidência da República. Visto como favorito pela direção do PSD, Ratinho abriu mão da disputa para se dedicar à eleição estadual e Leite foi preterido por Ronaldo Caiado. Ajuda da máquina: Ratinho Junior e Leite são presenças frequentes nas propagandas eleitorais e em agendas dos candidatos à sucessão no interior do estado. No Paraná, o governador tirou uma licença do comando do Executivo para intensificar a presença na campanha de Sandro Alex. PT de coadjuvante: no Rio Grande do Sul, o PT não tem candidato pela primeira vez e apoia Juliana Brizola. No Paraná, o partido integra a chapa de Requião Filho. Os dois pedetistas são considerados mais competitivos do que os nomes do PT que estavam cotados: Edegar Pretto (RS) e Enio Verri (PR). Associação com o bolsonarismo: Moro e Zucco têm defendido temas caros ao bolsonarismo, como o impeachment de ministros do STF e anistia aos condenados pela trama golpista. Eles também saíram em defesa de Flávio Bolsonaro das acusações relativas ao escândalo do Master.

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