Derrotado, Trump terá menos poderes para provocar turbulências econômicas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos pode abrir caminho para o fim mais rápido da guerra contra o Irã e reduzir as incertezas que vêm pressionando a economia mundial. O resultado também deve limitar o poder do presidente americano de impor novas tarifas e de provocar turbulências nos mercados.

A reação do eleitor americano nas urnas foi contra a guerra e contra as tarifas, que trouxeram inflação para o consumidor. O conflito produziu muitos efeitos para os Estados Unidos, mas também para a economia mundial.

Um dos impactos foi sobre o petróleo, que subiu muito e ficou muito instável. Isso tira crescimento, adia decisões de investimento e posterga compras e vendas.

O mundo teve dificuldades tanto com o petróleo em si quanto com o fertilizante e teve que pagar mais caro por tudo isso. O frete também ficou mais caro.Essa guerra contra o Irã teve um efeito muito deletério sobre a economia, e a expectativa é que, com menos poderes, Trump seja empurrado a encerrar o conflito o mais rapidamente possível.

Os eleitores também rejeitaram o estelionato eleitoral. Trump disse que não faria uma nova guerra e deliberadamente entrou em uma.

Sem ter sido provocado, foi arrastado por Benjamin Netanyahu e entrou num conflito achando que seria um passeio. O embate se tornou mais um pântano, e Trump não consegue sair dele.

Em relação às tarifas impostas a outros países,essas taxas encarecem os produtos que entram no mercado americano, e alguns itens foram muito atingidos. É curioso que o Partido Republicano, no passado, antes de Trump, era o partido mais liberal no comércio.

E o Partido Democrata era o mais protecionista. Além dessas turbulências, Trump também ameaçou o Banco Central e destituiu uma de suas diretoras.

Com menos poder e contido por um Congresso majoritariamente democrata, seus ímpetos autoritários também na economia tendem a ser contidos. Uma dúvida é sobre o impacto dessas eleições de meio de mandato no dólar.

Internamente, o governo Lula precisa explicar melhor o caminho da economia. Temos um problema que é só nosso: a dificuldade de construir um horizonte para as contas públicas.

No caso da dívida pública, houve aumento no mundo inteiro, não é só no Brasil. De qualquer maneira, do ponto de vista da democracia, a vitória brasileira e a vitória do Partido Democrata nos Estados Unidos são excelentes notícias.

E a economia vai se consertando dentro desses contextos, mas, no caso dos Estados Unidos, há boas expectativas de uma melhora das pressões econômicas.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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