Derrota de Trump nos EUA coloca em xeque expansão bilionária de data centers

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A expansão acelerada da infraestrutura de inteligência artificial nos Estados Unidos enfrenta um novo obstáculo político após a vitória de candidatos democratas que prometeram restringir a construção de data centers. As eleições de terça-feira (3) colocaram em risco projetos bilionários de grandes empresas de tecnologia e evidenciaram a crescente resistência da população aos impactos ambientais e econômicos dessas instalações.

Segundo reportagem do Financial Times, reproduzida pela Folha de S.Paulo, os resultados no Texas, na Geórgia e em Ohio representam um revés para o presidente Donald Trump, defensor da ampliação da infraestrutura de IA. Os três estados concentram investimentos estratégicos do setor e elegeram governadores democratas favoráveis à suspensão ou à imposição de condições mais rigorosas para novos empreendimentos.

No Texas, a democrata Gina Hinojosa derrotou o governador republicano Greg Abbott e prometeu interromper imediatamente a construção de novos data centers até a criação de mecanismos legais de proteção. O estado tornou-se um dos principais destinos de investimentos de empresas como OpenAI, Anthropic, Oracle, Microsoft, Google, Meta e Amazon, atraídas por incentivos fiscais e pela disponibilidade de energia e terrenos.

Vitórias democratas atingem principais polos de inteligência artificial Na Geórgia, a ex-prefeita de Atlanta Keisha Lance Bottoms venceu a disputa pelo governo estadual com a promessa de suspender temporariamente novos projetos.

A região metropolitana de Atlanta concentra quase 2,9 gigawatts de capacidade de data centers em construção, segundo a consultoria imobiliária CBRE, superando o norte da Virgínia como principal polo de expansão dessas instalações no país. Em Ohio, Amy Acton derrotou o republicano Vivek Ramaswamy e defendeu o congelamento de autorizações para empreendimentos que não cumpram exigências rigorosas relacionadas ao consumo de energia e água.

A resistência também apareceu nas consultas populares realizadas simultaneamente às eleições. Em Edgewater, na Flórida, 77% dos eleitores aprovaram uma proposta para proibir a construção de data centers no município.

Em Trenton, Ohio, uma votação favorável a restrições deve dificultar os planos da Amazon de instalar um complexo na cidade. Consumo de energia e aumento das contas mobilizam eleitores

A oposição aos data centers ganhou força diante das preocupações com o elevado consumo de eletricidade e água, a poluição sonora e atmosférica e os possíveis aumentos nas tarifas pagas pelos consumidores. Pesquisa de boca de urna da NBC apontou que 56% dos entrevistados consideraram a inteligência artificial e os data centers fatores cruciais ou importantes para decidir o voto nas eleições para o Congresso.

Antes da votação, 26 candidatos ao governo de 21 estados já defendiam alguma modalidade de suspensão de novos empreendimentos. Somente em Ohio, os eleitores analisaram 21 propostas relacionadas ao setor.

A pressão eleitoral levou inclusive republicanos a rever suas posições. Em setembro, Abbott determinou a suspensão temporária de licenças ambientais para novos data centers conectados à rede elétrica do Texas, enquanto uma auditoria fosse realizada.

A decisão ocorreu após Hinojosa transformar a oposição aos projetos em uma das principais bandeiras de sua campanha. Trump sofre revés em estratégia apoiada por gigantes da tecnologia

A resistência eleitoral contraria a estratégia de Trump de acelerar os investimentos em inteligência artificial. Em setembro, o presidente classificou como “farsa” as críticas aos data centers e as preocupações relacionadas à segurança da tecnologia.

O avanço dessas instalações tornou-se um componente importante da valorização das grandes empresas de tecnologia no mercado financeiro. Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet, controladora do Google, devem investir conjuntamente até US$ 740 bilhões, aproximadamente R$ 4,04 trilhões, em despesas de capital em 2026.

A Nvidia, fabricante de semicondutores utilizados no desenvolvimento de sistemas de IA, estima que os investimentos mundiais em infraestrutura do setor poderão alcançar entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões até 2030. Os resultados eleitorais também provocaram uma reação de Elon Musk, aliado de Trump e investidor em grandes complexos de processamento de dados.

“Data centers no espaço parecem bastante atraentes agora”, publicou o empresário na noite de terça-feira. Investidores temem restrições e impacto sobre empresas de tecnologia

Antes das eleições, analistas do BMO Capital Markets já alertavam para os riscos de uma reação política contra a expansão da infraestrutura de IA. Segundo eles, os resultados no Texas e das consultas populares em Ohio poderiam revelar a intensidade da resistência dos eleitores.

“Estamos preocupados com as avaliações das empresas do setor de tecnologia caso esse resultado se concretize”, escreveram os analistas. As novas administrações estaduais, entretanto, poderão enfrentar obstáculos para implementar as suspensões prometidas.

O alcance das medidas depende da legislação de cada estado, e mudanças mais amplas poderão exigir negociações com os parlamentos locais. As propostas seguem uma tendência iniciada em Nova York, onde a governadora Kathy Hochul determinou, em julho, uma suspensão de um ano para o desenvolvimento de data centers com capacidade igual ou superior a 50 megawatts.

Trump criticou a iniciativa, classificando-a como uma “decisão terrível”. Com a vitória democrata em estados estratégicos, a expansão da inteligência artificial passa a enfrentar um cenário de maior incerteza regulatória nos Estados Unidos, justamente quando as grandes empresas de tecnologia planejam investimentos sem precedentes em infraestrutura computacional.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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