Deputados britânicos e parlamentar escocesa afirmam ter sido detidos por Israel e impedidos de entrar na Cisjordânia

Deputados britânicos e parlamentar escocesa afirmam ter sido detidos por Israel e impedidos de entrar na Cisjordânia - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Dois deputados britânicos e uma integrante do Parlamento escocês afirmam terem sido detidos e interrogados por oito horas pelas autoridades de Israel ao tentar entrar na Cisjordânia, de acordo com a BBC. A abordagem aconteceu durante uma viagem organizada pela Internacional Progressista, uma organização de esquerda que reúne partidos, movimento sociais, ativistas e lideranças políticas de diferentes países.

Segundo o grupo, após o interrogatório, eles foram expulsos. Na segunda-feira, o Exército de Israel anunciou que todas as passagens terrestres da Cisjordânia seriam fechadas como reforço das medidas de segurança durante as eleições israelenses que acontecem nesta terça-feira.

Guga Chacra: Oposição liderada por Eisenkot pode ser melhor para israelenses, palestinos e vizinhos de Israel Quer morar fora do Brasil? Guia reúne informações sobre 36 países

Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp No grupo formado por 23 pessoas estavam a deputada do Partido Nacional Escocês (SNP) Lara Bird, o deputado trabalhista Clive Lewis, a parlamentar Kate Nevens do Partido Verde Escocês, além do ex-deputado trabalhista Sam Tarry e outras autoridades internacionais.

Nas redes sociais, as autoridades contaram como teria sido o tempo em que ficaram com as autoridades israelenses. Bird afirmou que o grupo estava em uma missão de solidariedade aos palestinos que, segundo a deputada, vêm sofrendo ataques durante a colheita de azeitonas na Cisjordânia.

"Fomos interrogados e, no fim, impedidos de atravessar", escreveu ao relatar que a delegação foi barrada na passagem da Ponte Rei Hussein, na fronteira entre Jordânia e Cisjordânia. As eleições que acontecem em Israel nesta terça-feira são as primeiras realizadas em Israel desde os ataques realizados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza e intensificaram a violência em outras áreas dos territórios palestinos.

A votação ocorre em um momento de disputa política para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que busca permanecer no poder. Na sexta-feira, autoridades locais no território palestino classificaram a medida como uma forma de punição coletiva, enquanto o vice-prefeito de Hebron, Khaled Fahd Qawasmi, disse ser uma “propaganda eleitoral”.

Lewis, que representa Norwich South, também publicou nas redes e afirmou que a delegação foi tratada como se tivesse cometendo alguma irregularidade. Embora, segundo ele, a viagem tivesse objetivo pacífico:

"Sabíamos que, ao atravessar para os territórios palestinos ocupados, corríamos o risco de sermos detidos, interrogados e impedidos de entrar. Infelizmente, foi exatamente isso que aconteceu", declarou o deputado no seu perfil, acrescentando que o grupo viajou para demonstrar apoio aos palestinos e denunciar o que classificou como "injustiça e violência" contra a população local.

Em um vídeo, Nevens descreveu a experiência como "assustadora", mas afirmou que todos do grupo conseguiram deixar a área em segurança. A parlamentar afirmou ainda que o episódio representa apenas uma pequena amostra das dificuldades enfrentadas rotineiramente por palestinos nos postos de controle da região.

Em comunicado, um porta-voz do SNP afirmou que o partido está "orgulhoso de estar ao lado do povo palestino". Tensão antes da votação

Nos últimos dias, cerca de 3 mil palestinos foram deslocados de Hebron, no sul da Cisjordânia, após operações israelenses em resposta ao assassinato de dois soldados de Israel por homens armados palestinos. A ofensiva foi iniciada por ordem do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e atingiu centenas de famílias, levando à retirada de moradores de bairros inteiros.

O balanço atualizado foi divulgado pela prefeitura local nesta segunda-feira, no mesmo dia em que uma comissão de investigação da ONU acusou Israel de cometer crimes contra a Humanidade na região, incluindo extermínio, tortura e estupro. Netanyahu anunciou a ampla ofensiva militar como “antiterrorista” e ordenou a retirada dos moradores do distrito onde viviam os autores do ataque que matou os dois soldados, de 20 e 23 anos.

Forças israelenses, então, entraram no bairro de Ein Dir Baha e determinaram que os residentes recolhessem seus pertences rapidamente e abandonassem suas casas. Militares usaram alto-falantes para emitir as ordens, enquanto tropas vasculhavam edifícios.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram ruas destruídas por tratores na cidade. Também foram registrados relatos de ataques contra agricultores palestinos durante a colheita anual de azeitonas, período tradicionalmente marcado por conflitos entre palestinos, colonos israelenses e forças de segurança.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →