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Os democratas trucidaram os republicanos nas eleições de meio de mandato. É a maior derrota de Donald Trump desde que entrou para a política.
Maior até mesmo do que quando perdeu a Presidência para Joe Biden. Estados solidamente republicanos, como Texas, Carolina do Sul e até o Kansas, elegeram candidatos democratas, algo impensável poucos meses atrás.
Nem o mais otimista dos democratas imaginaria uma vitória tão ampla como a desta terça-feira, com a conquista folgada da maioria no Senado e ficando próximos de repetir o feito na Câmara. Progressistas e moderados – Democratas de todos os perfis venceram as eleições.
Dos mais moderados, como Roy Cooper na Carolina do Norte, aos mais progressistas, como Abdul El-Sayed em Michigan. Ganharam em estados do Sul e do Meio-Oeste.
Mantiveram estados na Costa Nordeste e também no Oeste. Não houve lugar em que os democratas foram surpreendidos.
Na verdade, eles surpreenderam em todos. Texas democrata – Os democratas viraram o Texas, um estado que é sinônimo de republicano há décadas.
James Talarico foi eleito para o Senado com uma vantagem de mais de 12 pontos percentuais. O governo estadual também passou para as mãos do partido.
A vitória, insisto, não pode ser descrita como apertada. Permite que os democratas sonhem em transformar o Texas em azul nas próximas eleições presidenciais.
Elon Musk reclamava da Califórnia e usava o Texas como símbolo de lugar onde não havia progressistas. Gastou centenas de milhões de dólares em apoio ao candidato republicano.
Perdeu dinheiro e agora será governado por democratas, independentemente de estar em Austin ou San Francisco. Do Kansas à Carolina do Sul – Outros bastiões republicanos mudaram de lado nas disputas pelo Senado.
O Kansas elegeu o pastor Adam Hamilton, que teve uma margem de cinco pontos sobre seu adversário, enquanto a Carolina do Sul deu a vitória a Annie Andrews. Os dois estados se juntam à Georgia, que reelegeu o democrata Jon Ossoff.
Seis anos atrás, Ossoff venceu por menos de 1%. Desta vez, abriu vantagem de 18% e já desponta como um possível nome para as primárias democratas.
Em uma clara guinada da Geórgia para o campo “azul”, Keisha Lance Bottoms se tornou a primeira mulher negra e afro-americana eleita governadora nos EUA. Primeiro muçulmano – Progressista e crítico do apoio dos EUA a Israel, Abdul El-Sayed superou todos os ataques islamofóbicos e venceu as eleições para o Senado em Michigan, mantendo a cadeira com o Partido Democrata.
Será o primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos. Com uma agenda focada no aumento do custo de vida, é mais um integrante da jovem esquerda norte-americana que tem como maior expoente Zohran Mamdani, prefeito de Nova York.
Em um estado vencido por Donald Trump nas últimas eleições, El-Sayed obteve uma vitória com 6% de vantagem. Os experientes – Democratas experientes e moderados como o ex-governador da Carolina do Norte Roy Cooper e o ex-senador por Ohio Sherrod Brown também conseguiram vitórias na disputa para o Senado.
Esses estados estavam, até então, com os republicanos. Cooper venceu com uma impressionante vantagem de 20% dos votos e também aparece como nome forte para as primárias democratas.
Brown volta ao Senado ao vencer por cinco pontos percentuais. Do Maine a Iowa – Os democratas ainda conseguiram superar a quase “eterna” senadora republicana Susan Collins, no Maine, onde Troy Jackson venceu com uma vantagem de 8%.
Já Iowa elegeu Josh Turek. Ao todo, os democratas conseguiram virar sete estados e ainda mantêm chances de vencer no Alaska, ampliando o número para oito.
Ao final, devem somar 54 ou 55 cadeiras no Senado, de um total de 100. Amanhã, na minha coluna, falarei dos impactos para o presidente Trump dessa humilhação imposta aos republicanos.
O Globo