Democratas apertam o cerco a data centers de IA

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Fonte da notícia: Valor Valor

Os projetos de centros de dados para inteligência artificial em Estados americanos como Texas, Ohio e Georgia devem ficar mais caros para gigantes de tecnologia. Na gestão democrata, os projetos de data centers de grande escala, os “hyperscalers”, serão submetidos a uma regulamentação mais rígida sobre impacto ambiental, social e uso de energia limpa.

Para especialistas ouvidos pelo Valor, as big techs não devem desacelerar investimentos em projetos que já foram contratados com base em queima de caixa e endividamento crescente, o que vem preocupando investidores. “As medidas em Estados sob a gestão do partido democrata podem envolver redução ou cancelamento de incentivos fiscais, tornando os projetos mais caros já que as big techs alavancadas não podem diminuir o ritmo dos projetos”, diz o diretor de investimentos do banco suíço EFG, Luis Ferreira.

“O Texas, em particular, concentra 25% do pipeline de data centers nos EUA”, ele destaca. A possibilidade de encarecimento ou redução no ritmo da ampliação de centros de dados nos EUA gerou volatilidade e queda nos papéis de Nvidia, Intel e Broadcom nesta quarta-feira (4).

A governadora democrata eleita no Texas, Gina Hinojosa, promoveu uma virada histórica em um reduto republicano há 36 anos. A nova gestão deve mexer nos incentivos de empresas como Tesla, SpaceX e Oracle, que transferiram sedes para o Estado incentivadas pelo presidente Donald Trump, bem como em projetos bilionários de data centers de empresas como Meta, Alphabet, Microsoft e OpenAI.

Hinojosa fez campanha por uma pausa em novos projetos até que o Estado adote regras mais rígidas. O Texas abriga um grande número de centros de dados nos EUA: são 252 campi.

Mesmo número da Virginia, que possui a maior concentração de data centers do mundo, e que também terá regras mais rígidas para novos projetos (ver infográfico). Em setembro, a governadora democrata da Virgínia, Abigail Spanberger, anunciou um pacote de medidas para obrigar as empresas a arcar com custos de transmissão e melhorias na rede elétrica, limitar a geração local por gás natural, revisar geradores a diesel e acelerar regras de ruído e uso de água.

O pacote inclui novas regras de zoneamento para data centers com consumo superior a 25 megawatts. Os novos governos democratas dos Estados de Ohio e Geórgia também defendem moratórias em projetos e construção de centros de dados, assim como Nova York.

Em julho, a governadora reeleita de Nova York, a democrata Kathy Hochul, emitiu uma ordem executiva impondo uma moratória de até um ano para a construção ou licenciamento de novos grandes data centers no Estado. A governadora eleita em Ohio, Amy Acton, propôs uma moratória condicional sobre a construção de novos centros de dados no Estado.

A democrata Keisha Lance Bottoms, ex-prefeita de Atlanta e primeira mulher negra eleita para o governo da Geórgia, argumentou que a suspensão temporária de centros de dados permitirá a avaliação de sobrecarga que os centros de dados impõem à rede elétrica do Estado. Além da pressão de governos democratas sobre a expansão desenfreada de data centers, a escassez de terrenos e fontes de energia nos EUA, colocam o Brasil como “a bola da vez” para novos projetos, observa o executivo-chefe (CEO) da consultoria B.Real Capital, Alisson Takano.

“Com abundância de recursos naturais, localização geográfica favorável e grande quantidade de cabos submarinos, o Brasil deixou de ser uma oportunidade eventual para uma alternativa estratégica de expansão de data centers diante dos limites de terra e energia nos Estados Unidos”, afirma o executivo à frente da consultoria especializada em desenvolvimento, captação de recursos e alocação de infraestrutura para projetos de data center.

Takano defende, contudo, que o país aproveite a onda de investimentos com regulação criteriosa, evitando repetir “a corrida armamentista da IA” promovida por Donald Trump contra a China, que resultou em “uma diligência superficial” de impacto ambiental e social dos projetos. “O Brasil tem a faca e o queijo na mão para fazer direito, mas temos que passar por uma regulação muito criteriosa”, diz o CEO da Be.Real Capital.

O presidente do CPQD, Sebastião Sahão Junior, alerta para a necessidade do país reforçar as políticas de estímulo à atração de centros de dados e garantir contrapartidas de cooperação tecnológica. “A questão não é trazer ou não centros de dados para o Brasil.

O ponto é que eles precisam vir acompanhados de um pacote com todo o potencial desenvolvimento associado ao negócio”, afirma o presidente do CPQD, fundação orientada à pesquisa e inovação com sede em Campinas (SP).  “Sem isso, o movimento será um desperdício.” Empresas de tecnologia aguardam a regulamentação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) antes do fim do ano.

O regime de incentivos fiscais para equipamentos de data center foi sancionado em setembro. No entanto, a validade de incentivos fiscais como PIS/Pasep, Cofins e IPI, termina em 1º de janeiro de 2027, na transição da Reforma Tributária.

“Muitos projetos ‘engatilhados’ dependem da definição de componentes no Redata para avançar na compra de equipamentos”, observa Takano. (Colaborou João Luiz Rosa)

Publicação Original Valor valor.globo.com
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