Delegada de SP presa advogou para namorado ligado ao PCC e pediu para Google apagar menções criminosas sobre ele

 

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A delegada Layla Lima Ayub, que foi presa na manhã desta sexta-feira (16) por suspeita de envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), pediu na Justiça que o Google apagasse as menções sobre o envolvimento de seu companheiro com atividades criminosas. Layla foi empossada junto a mais 523 delegados no último dia 19 de dezembro, em uma cerimônia no Palácio dos Bandeirantes.

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Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), ela já atuou como advogada de integrantes do PCC, mas também tinha vínculos pessoais com integrantes da organização criminosa. Seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, era uma das lideranças da facção em Roraima e chegou a ser preso em 2021, e esteve com Layla durante sua posse como delegada.

No fim de 2025, em 28 de dezembro, Layla chegou a atuar como advogada de Jardel, ainda que já estivesse empossada como delegada — prática que é ilegal. Ela ajuizou um proceso pedindo que o Google apagasse todos os resultados de pesquisa que informaram que Jardel tinha sido preso e tinha ligações com o crime organizado.

“Atualmente, após ter cumprido parte substancial da pena que lhe foi imposta, o requerente encontra-se em liberdade condicional, buscando ativamente sua completa ressocialização. Ele reconstruiu sua vida, possui novo círculo social, retomou laços familiares e está inserido no mercado de trabalho, demonstrando um compromisso inequívoco com uma vida proba e distante de qualquer atividade ilícita. Ocorre que, ao realizar uma simples busca por seu nome, os primeiros resultados que surgem remetem diretamente a duas matérias jornalísticas que noticiam suas prisões passadas”, destacou ela na petição. O GLOBO tenta contato com a delegada.

Ainda segundo o MP, a delegada mantinha vínculo pessoal e profissional com membros da facção. Ela teria exercido de forma irregular o cargo de advogada em audiência de custódia para presos integrantes da organização criminosa após ter tomado posse como delegada.

Na operação desta sexta, mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de São Paulo e Marabá. Além da delegada, um integrante do PCC, que se encontrava em liberdade condicional, também foi detido, alvo de um mandado de prisão temporária.