Defesa aponta falta de contexto em áudios divulgados de Ed Motta sobre funcionário de restaurante: 'retirante' e 'paraíba'

 

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A delegada Daniela Terra, titular da 15ª DP (Gávea), ainda deve ouvir pelo menos mais cinco pessoas sobre a confusão no restaurante Grado, no Jardim Botânico, envolvendo o cantor Ed Motta. Entre os depoimentos previstos estão os do homem apontado como autor da garrafada em um cliente e do dono do estabelecimento. O artista prestou depoimento, nessa terça-feira (12), e agora é investigado por injúria por preconceito.

A investigação ganhou novos elementos depois que a polícia anexou áudios enviados por Ed Motta ao proprietário do restaurante. Esses áudios são antigos, de 2025, mas mostram uma tensão entre Motta e um dos funcionários, com ameaças diretas e até ofensas sobre a origem do trabalhador.

Vamos ouvir dois áudios nesta reportagem. Abaixo estão as transcrições. O primeiro deles é deste ano, ocorreu após o incidente investigado inicialmente. Ed Motta diz que ficou chateado com a taxa de rolha e que teve um ódio mortal da situação.

"Eu peço desculpa, porque eu joguei uma cadeira no chão de ódio, entendeu? Eu fiquei com ódio, fiquei com ódio mortal, né, da rolha que foi cobrada, o desrespeito que foi. A questão é combinar antes, né?Hoje eu desci o sarrafo porque um amigo meu fez uma pergunta pra ele e ele não respondeu, ele simplesmente não respondeu, aí eu falei, olha, ele é assim mesmo, ele é um baba**, que não responde, aí ele soltou o primeiro sorriso"

Agora, outro áudio, este de 2025. Numa das mensagens, o cantor ameaça agredir um barman e o chama de “paraíba”. Em uma das gravações, ele afirma que “vai sair porrada” caso volte a discutir com o funcionário e faz referência ao fato de o homem ser nordestino. Em outro trecho, diz que a “próxima é pular o balcão e pegar ele”.

"Eu tive uma noite horrível ontem por conta desse cara, se eu falar com ele eu já vou, vai sair ***, vai sair ¨***, porque é a Tijuca contra o Nordeste, né? Então é tipo, pô cara, seu paraíba ***, entendeu? Você tá trabalhando com o público, você não pode se comportar desse jeito. Eu não quis chegar perto dele pra mostrar o quanto que eu tenho ódio de tudo, muito mais do que ele, mesmo ele sendo um retirante, o cara que veio da casa do cara, eu tenho um ódio muito maior que o dele. Então amigos, é isso, eu só tô contando isso pra ver se isso alivia de alguma forma, porque eu não quero deixar de frequentar, mas eu me conheço, eu me conheço, eu me conheço. Eu tô no meu limite com ele, assim".

A defesa do artista afirmou que os áudios são antigos, foram retirados de contexto e divulgados para tentar influenciar a investigação sobre o episódio ocorrido no último dia 2. Na ocasião, Ed Motta e amigos se irritaram após serem cobrados pela taxa de rolha. Segundo relatos, houve discussão com funcionários e o cantor deixou o restaurante alterado, chegando a arremessar uma cadeira no salão. Depois que ele saiu, um amigo dele deu um soco e lançou uma garrafa de vinho contra um cliente, que ficou ferido.

O amigo do cantor, Nicholas Guedes Coppim, responde por lesão corporal. Já Ed Motta é investigado por injúria por preconceito. Em depoimento, o artista negou ter ofendido funcionários e disse que a acusação é “infundada”. Ele afirmou ainda que é neto de baiano, bisneto de cearense e que repudia qualquer tipo de preconceito.

Sobre a discussão, declarou ter se sentido “chateado e desprestigiado” pela cobrança da taxa de rolha e admitiu que jogou a cadeira no chão “de ódio”, mas alegou que não teve intenção de atingir ninguém.

O que diz a defesa de Ed Motta

A defesa de Ed Motta repudia a tentativa de manipulação de narrativa por meio da divulgação de áudios antigos, fora de contexto, com o claro objetivo das partes em influenciar a investigação sobre o episódio ocorrido no dia 2 de maio, em um restaurante no Rio de Janeiro.

Conforme já esclarecido em depoimento, Ed Motta afirma ser absolutamente falsa a acusação de que teria chamado alguém de “Paraíba” naquela noite.

A divulgação de um áudio antigo, privado, gravado em outro contexto e sem qualquer relação com os fatos investigados, apenas evidencia a tentativa de construção artificial de uma versão que jamais ocorreu.

A defesa lamenta o vazamento distorcido e descontextualizado de áudios e reafirma que Ed Motta não agrediu ninguém naquela noite e não possui qualquer tipo de preconceito contra quem quer que seja.

O artista rejeita com veemência a criação de fatos inexistentes e seguirá colaborando com os esclarecimentos necessários perante as autoridades competentes".