De volta da Europa, Ana Paula desabafa e alerta: “o handebol está sufocado”

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Após 18 anos no handebol europeu, Ana Paula Rodrigues vive um choque de realidade em seu retorno ao Brasil. Campeã mundial em 2013, a hoje armadora do Pinheiros está assustada com a forma em que encontrou o esporte em seu retorno ao Brasil. “O handebol está sufocado. A gente precisa de ajuda”.

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“Eu escutei minha vida toda, antes de ser campeã do mundo, que, no dia em que o handebol tivesse um resultado expressivo, as coisas iriam mudar aqui no Brasil. E a sensação que eu tenho é como se tivesse mudado para pior”, desabafou a atleta em entrevista à transmissão oficial da fase de grupos da Liga Nacional feminina.

A avaliação veio acompanhada da lembrança da Liga Nacional que disputou antes de seguir para o exterior. A armadora recordou o formato com partidas de ida e volta e comparou aquela experiência às dificuldades atuais para as equipes conseguirem participar do torneio. “Eu sei que tiveram equipes que se classificaram para estar aqui e não puderam estar porque não têm apoio”, relatou.

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Volta ao Brasil traz sentimentos conflitantes

Ana Paula explicou que a satisfação de voltar a competir no país passou a dividir espaço com a preocupação pelas adversárias. “Eu estou muito feliz de poder voltar a jogar no Brasil, de poder estar no Brasil, de ter esse contato com algumas atletas que eu não conhecia, que eu não podia ver mais de perto. Mas, ao mesmo tempo, é um sentimento de tristeza, de ver o quanto as equipes estão lutando para sobreviver no handebol brasileiro.”

O desabafo incluiu um pedido a quem pode contribuir para a manutenção da modalidade. Sem citar pessoas ou instituições específicas, Ana Paula cobrou atenção para o risco que enxerga no cenário atual. “Eu espero que as pessoas que podem ajudar o handebol abram o olho enquanto é tempo. A gente precisa de ajuda, porque senão o handebol vai acabar aqui no Brasil.”

Venda de feijoada para financiar participação

Um dos episódios que marcaram Ana Paula foi o contato com uma equipe cujas atletas vendiam feijoada para levantar recursos. A jogadora preferiu não identificar o time. “As meninas estavam vendendo feijoada para tentar custear uma competição. Isso é triste, cara. É muito triste. Porque talvez, no momento em que elas estão tentando vender feijoada, elas poderiam estar se dedicando a alguma outra coisa para o handebol.”

Na entrevista, a campeã mundial também chamou a atenção para as diferenças de hospedagem e alimentação entre as delegações. Segundo ela, enquanto o Pinheiros tinha condições de oferecer hotel e transporte aéreo, outras equipes estavam em alojamentos.

“Graças a Deus, o Pinheiros tem uma estrutura ok, pode pagar um hotel para a gente. Tivemos um bom voo e tudo. Mas eu queria que todo mundo tivesse a mesma estrutura para poder entrar na quadra e se preocupar só em jogar.”

Ana Paula busca título inédito na Liga Nacional

A entrevista começou com uma pergunta sobre o que a motiva a continuar competindo. Apesar do título mundial e da trajetória internacional, Ana Paula ainda busca uma conquista que não tem no currículo: a Liga Nacional.

“Eu tenho muitos objetivos pessoais na minha vida e um deles é ganhar a Liga Nacional. Todo mundo fala: ‘Nossa, você é campeã do mundo’. Eu sou campeã do mundo, porém nunca ganhei uma Liga Nacional.”

Anunciada pelo Pinheiros em maio, a armadora ajudou a equipe a avançar ao Final Four. A fase decisiva feminina está marcada para 17 a 19 de dezembro, em Niterói (RJ).

A busca pelo troféu, porém, não afastou a preocupação com as condições de quem disputa a competição. Ao encerrar a entrevista, Ana Paula reforçou o pedido de apoio.

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