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De 'Senhor dos Anéis' a Santo Agostinho e Francisco: as citações do papa Leão XIV em 1ª encíclica

 

Fonte: Bandeira



O papa Leão XIV divulgou nesta segunda-feira (25) sua primeira encíclica. Esses são documentos oficiais papais que se dirigem a bispos do mundo todo, dando um direcionamento do pensamento católico sobre diversos temas, focando especialmente naqueles em evidência.

Intitulado 'Magnifica Humanitas', o papa alertou no texto sobre os perigos da inteligência artificial e que seu uso em conflitos armados representaria complicações sobre o papel humano na resolução das guerra.

No texto, foram feitas diversas citações, sendo uma das mais curiosas do livro 'O Senhor dos Anéis', de JRR Tolkien, que, enquanto vivo, era seguidor do cristianismo. É a passagem em que o mago Gandalf diz:

'Não nos cabe controlar todas as marés do mundo; nossa tarefa é fazer o que pudermos pela salvação dos anos em que vivemos , erradicando o mal dos campos que conhecemos, para que aqueles que vierem depois possam cultivar uma terra saudável e limpa'.

As citações também incluem as de grandes filósofos e intelectuais, como: Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Platão, Hannah Arendt, Romano Guardini, Viktor Frankl e Giorgio La Pira.

Os papas mais recentes são todos mencionados, começando com Leão XIII e sua 'Rerum Novarum', que inspirou Prevost para este primeiro documento magisterial importante. Mas também há Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco.

Ele também destacou pessoas que mudaram o curso da história de seus países, caso de Martin Luther King e Nelson Mandela, além de mulheres que, em suas diversas áreas de atuação, transformaram a maneira de pensar: Santa Laura Montoya, Santa Teresa de Calcutá, Dorothy Day, Maria Curie, Maria Montessori, Elisabeth Elliot, Wangari Maathai, Benziñez Bhutto.

Por fim, há referências à Carta das Nações Unidas, aos documentos do Concílio Vaticano II, aos quais o Papa dedica as catequeses das audiências gerais de quarta-feira, e ao Compêndio da Doutrina Social da Igreja.

Entenda mais sobre primeira encíclica

Papa Leão XIV.

AFP

Na primeira encíclica do papa Leão XIV, publicada nesta segunda-feira (25), ele pediu desculpas pela demora da Igreja católica em condenar a escravidão. Segundo ele, isso até hoje é uma 'ferida na memória cristã'.

'Em nome da Igreja, peço sinceramente perdão', escreve no texto que define as posições da Igreja em diversas questões, especialmente a inteligência artificial.

Ele ainda alertou no texto sobre os perigos da inteligência artificial e que seu uso em conflitos armados representaria complicações sobre o papel humano na resolução das guerra.

'"Os principais motores do desenvolvimento são entidades privadas, muitas vezes transnacionais, dotadas de recursos e capacidade de intervenção que superam os de muitos governos. O poder tecnológico assume, assim, um aspecto sem precedentes, predominantemente 'privado', o que torna ainda mais difícil discernir, governar e direcionar esse poder para o bem comum', escreve.

'Embora a IA possa aprimorar a defesa e a proteção de civis, ela também pode diminuir o limiar para o uso da força, proteger as pessoas da responsabilidade e fomentar uma cultura na qual o inimigo é reduzido a uma estatística e a vítima a 'dano colateral'', continua.

O Papa aponta o dedo para o crescimento da indústria bélica, a corrida armamentista nuclear e o surgimento de novos atores armados, incluindo grupos jihadistas, que visam perpetuar o conflito como fonte de poder e lucro.

Ele também adverte claramente contra o uso de armas baseadas em inteligência artificial, porque 'não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável'.

Portanto, são necessárias restrições éticas rigorosas, compartilhadas internacionalmente, porque 'qualquer tecnologia que facilite o ataque sem ver o rosto do outro diminui o limiar moral do conflito'.

O papa também enfatiza que 'a promoção do bem comum jamais poderá ser dissociada do respeito ao direito dos povos de existir, de preservar sua própria identidade e de contribuir com sua singularidade para a família das nações'. E 'qualquer tentativa ou plano para eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral e, portanto, inaceitável', afirma Leão XIV na encíclica.