Prestes a deixar o Executivo de Minas Gerais, após ser derrotado na eleição estadual, o governador Mateus Simões (PSD) propôs a redução na cobrança do IPVA, iniciativa considerada a principal bandeira de campanha do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que foi eleito para comandar o estado. A proposta foi enviada na forma de um projeto de lei para discussão na Assembleia Legislativa e provocou reação do parlamentar do Republicanos. Disputa eleitoral: Campanha de Lula escala Alckmin para rebater Flávio sobre ‘tesouraço’ de R$ 200 bilhões e compara medida com governo Milei 'Manipulação algorítmica': Saiba o que alega a campanha de Lula contra a Meta em acusação de favorecer Flávio O texto encaminhado para a deliberação da ALMG autoriza redução em até 75% o valor das alíquotas cobradas pelo imposto e prevê que o governo repasse aos municípios os valores integrais que seriam destinados a eles pela arrecadação. Em nota enviada à imprensa, Simões disse que serão realizados estudos para estruturar e apresentar o projeto "com transparência, responsabilidade fiscal, considerando a realidade financeira do Estado e foco no alívio ao contribuinte”.
Em resposta, Cleitinho escreveu nas redes sociais que a atual gestão entregará a ele o estado com problemas financeiros semelhantes aos que criticou ao assumir o Executivo há oito anos. "O governo Zema passou anos criticando o PT pela situação financeira em que recebeu Minas Gerais. Agora, está entregando o Estado com os mesmos problemas que criticou", disse o senador. Nos últimos dias, Cleitinho também questionou o aumento para R$ 10,5 bilhões de déficit previsto no orçamento estadual de 2027 pela gestão de Simões.
Em seu plano de governo, apresentado junto ao registro de candidatura em agosto, Cleitinho prometeu a revisão dos gastos previstos no orçamento e a análise da implantação de alíquotas de cobrança do IPVA proporcionais aos valores dos veículos, prevendo a redução ou isenção da tributação para carros populares. A viabilidade dessa e de outras propostas, no entanto, foi criticada por Simões durante a campanha. — Impressionante como as pessoas falam que vão investir, mas não falam de onde vão tirar o dinheiro. Um candidato disse que vai reduzir 1% do IPVA, que vai acabar com todos os pedágios de Minas Gerais, que vai interromper a cobrança da taxa de esgoto (...). E vai dar reajuste real aos servidores públicos. Eu só não sei se vai imprimir o dinheiro em casa ou vai assaltar o Banco Central, porque não fala de onde vai tirar o dinheiro — disse Simões durante uma sabatina organizada pela Faculdade Milton Campos. Aproximação entre Cleitinho e Flávio Nas últimas semanas, Cleitinho tem intensificado sua participação na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, o PL lançou um candidato próprio na disputa em Minas, o empresário Flávio Roscoe (PL), mas admitiu o apoio informal de parte de seus integrantes a Cleitinho, que também declarava voto em Flávio. Na reta final, Simões também passou a fazer acenos ao presidenciável do PL, mesmo sendo aliado do ex-governador Romeu Zema, que concorria ao Planalto pelo Novo.
Após ter sido eleito, o senador do Republicanos foi incluído na estratégia da campanha presidencial do segundo turno em Minas, coordenada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A primeira participação de Cleitinho em um ato do PL estava marcada para a quinta-feira da semana passada, em um comício no município de Capelinha (MG), mas o senador passou mal em Brasília (DF) e cancelou a ida ao compromisso.
O Globo