Antes de se tornar um dos maiores hinos do Bring Me the Horizon, “Shadow Moses” nasceu em um momento de incerteza para a banda inglesa. O grupo vinha de uma pausa, acabava de assinar com uma grande gravadora e preparava um disco que representaria uma mudança importante em sua trajetória. No meio desse processo, o vocalista Oli Sykes decidiu levar para a música uma de suas paixões: o videogame Metal Gear Solid.
O SEU ROCK IN RIO: MONTE O SEU LINE-UP IDEAL EM JOGO INTERATIVO Rock in Rio 2026: Acompanhe o primeiro dia do festival em tempo real O título “Shadow Moses” é uma referência direta à ilha fictícia onde se passa a maior parte da história do primeiro Metal Gear Solid, lançado para PlayStation em 1998. No jogo, o protagonista Solid Snake é enviado à ilha de Shadow Moses, no Alasca, para impedir uma ameaça nuclear e enfrentar a unidade de forças especiais FOXHOUND. A escolha do nome, porém, não foi planejada originalmente como uma ligação conceitual com a letra. Em entrevista à Radio Metal, Sykes contou que é um grande fã da franquia e explicou que “Shadow Moses” era inicialmente apenas um título de trabalho. Segundo ele, a expressão acabou sendo mantida justamente como uma homenagem ao jogo. A relação ficou ainda mais evidente na gravação: a abertura da música utiliza elementos inspirados em “The Best Is Yet to Come”, canção que encerra o primeiro Metal Gear Solid.
A referência funciona quase como uma porta de entrada para o que o Bring Me the Horizon pretendia fazer naquele momento. Quando “Shadow Moses” foi lançada, em janeiro de 2013, a banda estava prestes a apresentar Sempiternal, seu quarto álbum de estúdio. O disco seria o primeiro do grupo pela RCA Records, divisão da Sony, e representava uma aposta em uma sonoridade menos presa ao metalcore que havia marcado seus trabalhos anteriores. Minicâmera analógica, fone de ouvido, carregador, intercâmbio e peças de roupa: veja os brindes distribuídos no Rock in Rio Para Lee Malia, guitarrista do grupo, havia pressão para que a banda voltasse da pausa com algo novo. Em entrevista à MusicRadar publicada em 2025, ele lembrou que o período anterior ao disco foi marcado pela preocupação em produzir um material fresco. Também foi uma mudança no método de composição: pela primeira vez, o grupo chegou ao estúdio com praticamente todo o álbum previamente construído em demos digitais, em vez de desenvolver as músicas apenas nos ensaios. Foi nesse processo que “Shadow Moses” ganhou a forma que a transformaria em um marco da carreira do grupo. A chegada do tecladista e produtor Jordan Fish também ampliou o espaço para elementos eletrônicos e novas texturas. A música combinava guitarras pesadas, elementos eletrônicos, um refrão melódico e um breakdown que mantinha a agressividade característica da banda, mas com uma estrutura mais acessível. Malia considera justamente o riff um dos elementos centrais da faixa. Anos depois, ao relembrar sua criação, o guitarrista explicou que o objetivo era recuperar o peso dos breakdowns tradicionais, mas transformá-los em algo extremamente marcante. Para ele, a simplicidade do riff foi parte de sua força. A música também representava uma mudança importante para Sykes. Segundo Malia, “Shadow Moses” foi a primeira vez que o vocalista cantou o refrão em vez de simplesmente gritá-lo. O resultado, na avaliação do guitarrista, reunia o peso que os fãs esperavam do Bring Me the Horizon com elementos novos e um refrão capaz de alcançar um público maior. Por isso, a banda percebeu ainda durante a produção que aquela seria a música que apresentaria sua nova fase. A aposta funcionou. “Shadow Moses” foi escolhida como primeiro single de Sempiternal e rapidamente passou a ocupar um lugar central nos shows do grupo. O refrão, construído para ser cantado em coro, transformou a faixa em uma espécie de ritual nas apresentações. Para Malia, essa capacidade de fazer milhares de pessoas cantarem juntas é uma das razões para a música continuar aparecendo no repertório ao vivo. A ligação com Metal Gear Solid, enquanto isso, ganhou vida própria. Hideo Kojima, criador da franquia, tornou-se posteriormente fã do Bring Me the Horizon e, segundo Malia, chegou a assistir a apresentações da banda no Japão. “O cara que fez Metal Gear Solid agora é fã”, contou o guitarrista à MusicRadar.
O Globo