De loja a app de delivery: empresas oferecem empréstimos de até R$ 50 mil; veja o que checar no contrato

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Fonte da notícia: Extra Extra

A mensagem chega via celular ou aparece em um site com oferta de crédito. No entanto, em vez de um banco, quem oferece o dinheiro é uma rede de varejo, uma operadora de telefonia e até um aplicativo de delivery. Mas, afinal, quais são as condições e os critérios para empresas que não nasceram no sistema financeiro ofertarem empréstimos? Novo valor: governo eleva projeção do salário mínimo para R$ 1.741 Desenrola: após renegociação de dívidas, cerca de 800 mil pessoas estão impedidas de apostar Para entender como funciona essa operação, o EXTRA levantou as condições de crédito oferecidas por seis empresas de entrega, telecomunicações e e-commerce. Os empréstimos variam entre R$ 12 mil e R$ 50 mil. Porém, há um ponto em comum: nenhuma delas promete valor, taxa ou prazo de pagamento fixo. Tudo depende de uma análise de crédito individual, feita no momento da contratação. O fenômeno tem até nome: embedded finance ou finanças incorporadas. — É quando uma empresa oferece um serviço financeiro dentro da própria jornada de consumo que o cliente já tem em seu ecossistema, sem sair do aplicativo — dizz Luis Felipe Cavalcante, mestre em Economia e professor da Estácio. Na prática, quem empresta não é a empresa. De acordo com Samuel Barros, professor de Finanças do Ibmec RJ, por trás da oferta há sempre um agente financeiro que pode ser um banco tradicional, uma fintech, uma sociedade de crédito ou uma instituição financeira white label — quando uma marca utiliza a infraestrutura de um banco. — Com isso, a empresa ganha um pedaço dessa oferta e, caso o crédito seja contratado, oferece mais serviços ao cliente dela — detalha. A copeira hospitalar Raquel Conceição Rodrigues, de 35 anos, é uma das que recebem essas mensagens por WhatsApp, SMS e e-mail oferecendo crédito por meio de apps de transporte, lojas e contas digitais. Ela nunca clicou em um link nem chegou a fazer uma simulação: — Fico na dúvida. Por isso, não dou atenção. Atenção na contratação De acordo com Samuel Barros, do Ibmec RJ, o crédito oferecido por essas empresas é mais caro do que o de bancos: — Como é um crédito concedido muito rapidamente, com pouca análise e avaliação, o risco para o agente financeiro é muito grande. Consequentemente, ele recompõe esse risco em juros mais altos — explica. Ainda segundo o especialista, o histórico de compras pesa pouco na conta: — A empresa vai te oferecer crédito para tentar te convencer a comprar mais. Não é porque você já compra muito que ele vai te dar crédito. Antes de aceitar, o consumidor precisa olhar além da taxa de juros. É o que alerta Igor Lodi Marchetti, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). — Normalmente, o consumidor fica mais atgento à taxa de juros cobrada, mas toda a parte de encargos também precisa estar mencionada no contrato. Tudo isso precisa ser verificado — recomenda o especialista. O Custo Efetivo Total (CET) é o valor que reúne juros, tarifas, seguros e demais despesas do contrato. É esse percentual, e não a taxa de juros isolada, que mostra quanto o empréstimo vai custar de verdade. A informação deve aparecer antes da contratação. Em caso de cobrança indevida De cobrança duplicada a valor indevido. Quando algo dá errado com o crédito contratado, o consumidor não precisa ir atrás de quem está por trás da operação. — Todos os vinculados àquela rede de consumo, desde a empresa intermediadora até o banco que concedeu o crédito, são responsáveis — explica Igor Lodi Marchetti, advogado do Idec. Na prática, o cliente pode cobrar a loja, o aplicativo ou o banco parceiro. A discussão sobre quem errou fica para depois, entre as empresas, em uma ação de regresso. Outra prática proibida é a cobrança casada. Quando a parcela do empréstimo é somada à conta do próprio serviço contratado, o cliente fica obrigado a pagar as duas juntas. O advogado pontua que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) determina que o correto seria desmembrar as cobranças: — Práticas que gerem onerosidade excessiva, uma desvantagem excessiva desse consumidor, seriam sim práticas abusivas. O consumidor tem ainda o direito de não ser procurado. Quem recebe ofertas sem pedir pode recusar e solicitar cadastro na plataforma Não Me Perturbe, no site nãomepertube.com.br. Segundo Marchetti, em caso de atraso, a empresa não pode bloquear o aplicativo nem cortar o serviço original. — O crédito não pode servir como vinculação a não fornecimento de energia ou de serviços do aplicativo. É uma forma de cobrança ilegal. Até quanto comprometer Antes de aceitar qualquer oferta, vale calcular quanto do salário já está comprometido. — Um teto de 25% a 30% é o ideal para administrar bem as finanças pessoais. É necessário perceber que diferentes dívidas devem ser trabalhadas de formas diferentes — recomenda Luis Felipe Cavalcante, da Estácio. O professor cita uma referência conhecida no mercado financeiro, a regra 28/36. Por ela, a prestação da casa própria pode consumir até 28% do que se ganha por mês. Já a soma de todas as dívidas, incluindo a moradia, não deve passar de 36%. Isso significa que quem financia um imóvel tem pouca margem para outros compromissos. Para Samuel Barros, professor de finanças do Ibmec-RJ, esse limite mais apertado: — recomendaria ficar limitado a 15%, que é metade da regra, porque vivemos num país com inflação ainda alta, mesmo controlada, em que as contas de consumo, alimentos e bebidas continuam aumentando de preço e o salário não aumenta na mesma proporção. Se a gente já compromete 30% num endividamento fixo, corre o risco de, no mês seguinte, ter menos recurso relativo para pagar as contas — afirma. Quem já passou do teto deve começar revendo o próprio orçamento, segundo Luis Felipe Cavalcante. — Se esse teto for ultrapassado, deve-se verificar o orçamento doméstico e compras não essenciais. Caso o percentual de dívidas esteja muito alto, pode ser interessante aderir aos programas de renegociação, como os mutirões que a Serasa realiza — orienta. Samuel Barros vai na mesma linha e recomenda alongar o prazo para caber no bolso. — Negocie. Tente alongar essa dívida para reduzir a parcela. Em alguns cenários os juros vão acabar aumentando, mas alongar para reduzir a parcela garante que você vai conseguir pagar até o final. Evite ao máximo ficar inadimplente, porque isso pode custar mais caro no futuro — diz. As condições oferecidas 99pay Oferece empréstimo pessoal de até R$ 12 mil para usuários elegíveis, mediante análise de crédito. Atualmente, o tíquete médio dos contratos é de cerca de R$ 1.500, mas o valor é definido individualmente, com base em análise de risco. A taxa de juros também varia de acordo com o perfil de crédito do usuário e pode ficar entre 6% e 10% ao mês. O pagamento do empréstimo pode ser parcelado em até 12 vezes na primeira contratação. Para usuários recorrentes, o prazo pode chegar a até 18 parcelas. Todo o processo de contratação é realizado pelo aplicativo da 99. Na área da 99Pay, é possível consultar as condições e fazer simulações. Mercado Pago O valor disponível varia de acordo com o perfil de cada cliente e a modalidade de crédito, mediante análise. O prazo de pagamento depende da modalidade e das condições oferecidas a cada cliente. Em algumas opções, o pagamento pode ser feito em até 24 parcelas. A análise de crédito considera diferentes informações sobre o perfil e a capacidade de pagamento do cliente, e não apenas a comprovação tradicional de renda. As taxas de juros cobradas variam conforme a modalidade de crédito, o perfil de risco, o valor contratado e o prazo escolhido. A contratação é feita de forma digital, diretamente pelo aplicativo do Mercado Pago. Vivo Pay Oferece empréstimo pessoal de até R$ 50 mil, com prazo de pagamento de até 40 meses. O limite concedido a cada cliente é definido por meio de análise de crédito. Por isso, condições como taxa de juros e prazo de pagamento podem variar. No caso do Crédito do Trabalhador, não há um valor padrão para contratação, pois dependem de cada cliente, além da análise de crédito, que considera fatores como a margem consignável disponível. Nessa modalidade, o prazo de pagamento é de até 60 meses, e a taxa de juros cobrada depende do perfil do cliente. Nos dois casos, a contratação pode ser feita pelo app da Vivo, na aba “Vivo Pay”. O crédito é exclusivo para clientes Vivo elegíveis. C&A Pay Oferece empréstimo via C&A Pay, com parcelamento em até 15 vezes e possibilidade de começar a pagar em até 60 dias, conforme os critérios estabelecidos para cada cliente. As condições do crédito — como valor, taxa de juros e disponibilidade — podem variar de acordo com a análise de crédito e o perfil de cada pessoa no momento da contratação. Segundo informações disponíveis no site da empresa, além de a contratação poder ser feita diretamente pelo aplicativo C&A Pay, o consumidor também pode acompanhar todo o processo pelo celular. Além disso, após a contratação do empréstimo, o dinheiro é liberado via Pix. iFood Pago O crédito é exclusivo para restaurantes que vendem no iFood. As taxas de juros variam conforme a análise do perfil e, segundo informações no site da empresa, quanto melhor a performance do estabelecimento na plataforma, maiores são as chances de conseguir taxas mais baixas. A contratação pode ser feita pelo aplicativo iFood Pago, na opção “Crédito”, Caso haja uma oferta disponível. Outra alternativa é entrar em contato com o comercial pelo WhatsApp (11) 91080-3325 (apenas por mensagem de texto). Após a contratação, há um período de carência. Encerrado esse prazo, as parcelas são descontadas automaticamente dos repasses feitos ao restaurante. Porto Bank O empréstimo pessoal no cartão Porto Bank oferece um valor adicional que não compromete o limite do cartão. Segundo informações disponíveis no site da Porto, as taxas de juros variam conforme o perfil do cliente e as condições no momento da contratação. O valor liberado também depende da análise de crédito, e as opções disponíveis podem ser simuladas pelo aplicativo Porto. A contratação é feita pelo aplicativo e está disponível para clientes com cartão Porto Bank ativo e em dia e sem restrições no CPF. O dinheiro é depositado na conta do cliente em até um dia útil, e as parcelas são cobradas na fatura do cartão.

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