O vereador Igor Franco (Podemos) tem feito da Câmara Municipal de Goiânia um espaço de disputas políticas e pautas ideológicas, enquanto a população espera respostas para problemas concretos da capital. Sua trajetória recente é marcada pela aproximação com o prefeito Sandro Mabel (União Brasil), seguida de um rompimento que coincidiu com a perda de espaço na estrutura do governo municipal.
Em entrevista ao Jornal Opção, Igor chegou a afirmar que Mabel seria o melhor prefeito para Goiânia. Depois de perder espaço político, passou a confrontar a gestão.
A mudança levanta uma pergunta: a avaliação sobre o prefeito mudou por divergências administrativas ou porque os interesses políticos deixaram de ser atendidos? Agora, uma de suas apostas legislativas é a criação da Comenda de Mérito Charlie Kirk, em homenagem ao ativista norte-americano ligado à extrema-direita e ao movimento político de Donald Trump.
Kirk classificou pessoas trans como uma “abominação”, fez declarações depreciativas sobre negros, acusou judeus ricos de fomentar hostilidade contra brancos e sustentou que o Islã seria incompatível com a civilização ocidental. A proposta de Igor prevê até 50 homenagens por solenidade a pessoas e instituições alinhadas a valores conservadores e cristãos.
O embate com a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), que acionou judicialmente o vereador e o deputado estadual Clécio Alves após uma visita às instalações da empresa, ampliou o conflito com o Paço Municipal. A trajetória de Igor também inclui um registro judicial de 2016 que o identifica como réu preso em um processo relacionado à Terra Indígena Apyterewa, no Pará.
A iniciativa resume a distância entre a agenda ideológica do vereador e as necessidades de Goiânia. Enquanto moradores cobram melhorias na saúde, na mobilidade, na infraestrutura e na limpeza urbana, Igor quer incorporar à lista de honrarias da Câmara o nome de uma personalidade estrangeira sem ligação direta com a história da capital.
O problema não é defender o conservadorismo. É transformar a disputa ideológica em prioridade parlamentar enquanto faltam respostas para questões que afetam diretamente a vida dos goianienses.
Igor Franco pode mudar de aliados e defender as ideias que quiser. Mas seu mandato não pertence ao prefeito, aos grupos políticos ou às suas ambições pessoais.
Pertence à população que o elegeu e é a ela que o vereador precisa demonstrar, com resultados, a utilidade de sua atuação na Câmara. Leia também: A hipocrisia entre políticos “tiktokers”
Vereador propõe comenda com nome de Charlie Kirk, ativista de extrema-direita que acumulou falas racistas e homofóbicas nos EUA
Jornal Opção