De André Mendonça a senadores evangélicos: saiba quem fez campanha pela indicação de Messias ao STF

 

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A ofensiva para destravar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) contou não apenas com a articulação direta do Palácio do Planalto no Senado, mas também com uma rede de apoios paralela, que envolveu ministros da própria Corte e lideranças evangélicas dentro e fora do Congresso.

O movimento político teve como ponto de partida a interlocução entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), três dias antes do envio da indicação à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na reunião, Alcolumbre sinalizou que não atuaria para barrar o processo — desde que o indicado avançasse na interlocução com os senadores —, abrindo caminho para o início da tramitação, sem garantir apoio no plenário.

A partir desse gesto, o governo intensificou a articulação política, com atuação dos líderes Jaques Wagner (PT-CE) e Randolfe Rodrigues (PT-AP), além do envolvimento do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) que era visto como alternativa para a vaga e participou da reorganização do ambiente político em torno da escolha.

Apoio no STF

Em paralelo à ofensiva no Senado, o nome de Messias circulou com baixa resistência dentro do próprio STF. Ministros como Cristiano Zanin E Kassio Nunes Marques se colocaram favoravelmente a indicação, enquanto André Mendonça atuou como interlocutor junto a setores mais conservadores, ajudando a reduzir desconfianças sobre o perfil do indicado.

A presença de Zanin em um jantar com senadores, na semana que antecedeu o envio da indicação, foi interpretada como gesto político de apoio e reforçou, entre parlamentares, a percepção de que o nome não enfrentaria resistência interna na Corte.

O encontro, organizado pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), reuniu cerca de 38 parlamentares e funcionou como termômetro do ambiente político. Messias circulou entre os presentes acompanhado do presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), e Jaques Wagner, em uma estratégia desenhada para reduzir a formalidade das negociações e testar o grau de adesão ao seu nome.

Eixo evangélico

Outro vetor relevante da construção foi o segmento evangélico. Da Igreja Batista, o indicado contou com apoio de parlamentares e lideranças ao longo do périplo.

Fora do Senado, lideranças religiosas passaram a atuar na defesa do indicado, destacando sua identidade evangélica. Entre elas, o apóstolo Stevan Hernandes, da Renascer em Cristo, e o bispo César Augusto, da Fonte da Vida, que mobilizaram apoio e ajudaram a levar adiante;

No Senado, essa articulação encontrou eco em nomes como Eliziane Gama (PT-MA), vinculada à Assembleia de Deus, que participou da interlocução com colegas e ajudou a reduzir resistências ao indicado entre parlamentares religiosos.

Nem todos os líderes evangélicos, porém, embarcaram na campanha, mas não fizeram campanha contrária. Entre eles, o pastor Silas Malafaia, fundador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

— Tenho uma vertente diferente dele, mas não estou atuando contra. É problema deles lá. Não é porque é do Lula que vou bombardear. Não vou entrar neste jogo — afirmou ao GLOBO.

A posição foi vista por aliados como um fator que evitou a organização de resistência no segmento, considerado estratégico na votação.

Votos em aberto

Messias chega à sabatina nesta quarta-feira com um número expressivo de senadores que evitam se posicionar publicamente sobre seu nome, mantendo o cenário indefinido às vésperas da votação.

A projeção entre aliados gira em torno de 48 votos favoráveis no plenário, patamar considerado suficiente para aprovação. Parte relevante desses apoios, no entanto, não é declarada, o que eleva o grau de incerteza e amplia o peso do bloco de indecisos no desfecho.

Nos últimos dias, o indicado concentrou a ofensiva justamente sobre esse grupo, com contatos diretos e abordagem individualizada. O foco tem sido parlamentares de centro e do Centrão, onde se concentra a maior parte dos senadores que evitam cravar posição.

Nos bastidores, interlocutores do governo afirmam que uma parcela desses nomes já sinalizou tendência de voto favorável em conversas reservadas, mas opta por não se expor antes da sabatina. A avaliação é que o caráter secreto da votação pode facilitar a migração desses apoios.