Jogadoras afegãs poderão voltar a disputar jogos oficiais com aval da FIFA após quase sete anos; entenda
A FIFA aprovou uma mudança em seu regulamento que permitirá o retorno das jogadoras afegãs às competições internacionais, mesmo sem o reconhecimento da federação nacional do país. A decisão foi tomada nesta terça-feira, em reunião do conselho da entidade em Vancouver, no Canadá, e abre caminho para que atletas, muitas delas refugiadas no exterior desde 2021, voltem a representar oficialmente o Afeganistão.
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A medida altera as normas de governança da entidade para autorizar, em “circunstâncias excepcionais”, o registro de seleções nacionais ou equipes representativas sem a validação da associação membro local — no caso, a federação afegã, que não reconhece o futebol feminino devido às restrições impostas pelo regime do Talibã, no poder desde 2021. A mudança busca garantir que atletas não sejam impedidas de competir por fatores fora de seu controle.
Na prática, a decisão permitirá que jogadoras afegãs — muitas delas vivendo na Europa, Austrália, Estados Unidos e Oriente Médio — disputem partidas oficiais com reconhecimento pleno da FIFA. A expectativa é de que a equipe volte às competições já em junho, após períodos de treinamento organizados na Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia.
Ex-capitã da seleção afegã, Khalida Popal afirmou que o retorno representa mais do que uma oportunidade esportiva.
— Nossa equipe sempre foi conhecida como uma equipe ativista. Agora, com o apoio certo, também será o momento de mostrar nossas habilidades e desenvolver talentos na diáspora — disse, em entrevista à Reuters.
Popal reconheceu, no entanto, as limitações enfrentadas por mulheres que permanecem no Afeganistão.
— Sei que vai ser difícil porque as mulheres dentro do país terão dificuldades para participar. Mas podemos ser a voz delas, enviando mensagens de esperança — afirmou.
A decisão da FIFA se apoia na criação do Afghan Women United, equipe formada por refugiadas e apoiada pela entidade desde maio de 2025 como projeto piloto. O grupo já disputou amistosos no último ano e conquistou sua primeira vitória internacional em novembro, contra a Líbia.
Presidente da FIFA, Gianni Infantino classificou a medida como um avanço inédito.
— Estamos orgulhosos da jornada iniciada por essas jogadoras e queremos capacitá-las a dar o próximo passo — declarou.
Apesar da liberação, o Afeganistão não poderá disputar a Copa do Mundo Feminina de 2027, mas poderá participar das eliminatórias para os Jogos Olímpicos de 2028. A entidade também informou que fornecerá suporte técnico, financeiro e administrativo para estruturar a nova equipe.
