Três empresas com projetos de data centers venceram a primeira disputa competitiva pelo acesso à rede de transmissão de energia elétrica realizada pelo governo federal. O processo, encerrado na terça-feira (6), terminou com a contratação de 100% da capacidade oferecida, equivalente a 228 megawatts (MW).
Os projetos pertencem às empresas Pahlavan One, Pahlavan Three e Digital DC Brasil. Juntas, elas arremataram toda a capacidade disponibilizada em quatro pontos de conexão localizados no Estado de São Paulo.
A disputa faz parte da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast), criada pelo governo no ano passado para organizar a conexão de novos empreendimentos à rede básica de transmissão. O modelo mudou a forma de distribuir a capacidade disponível quando há mais interessados em se conectar do que espaço na rede para atendê-los.
Até então, os pedidos de acesso eram analisados por ordem de registro. Com a nova política, foram criadas as chamadas Temporadas de Acesso, períodos em que os interessados apresentam seus pedidos de conexão.
Quando a demanda por determinado ponto da rede supera a capacidade disponível, a alocação pode ser feita por meio de um processo competitivo entre os empreendimentos. A mudança ocorreu na esteira do aumento dos pedidos de conexão à rede de transmissão, especialmente de grandes projetos industriais, como plantas de hidrogênio de baixa emissão de carbono e data centers.
Na primeira temporada, sete empreendimentos foram habilitados para disputar os 228 MW disponíveis em quatro pontos de conexão em São Paulo. Juntos, esses projetos demandavam 451 MW, quase o dobro da capacidade ofertada.
Ao final da disputa, três empreendimentos de data centers ficaram com toda a capacidade disponível. Foi a primeira vez que a capacidade remanescente da Rede Básica foi alocada por meio de um mecanismo competitivo entre os agentes.
O resultado do primeiro ciclo da política e os projetos selecionados foram apresentados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nesta quarta-feira (7), em Brasília. A partir de 2027, deverão ser realizadas pelo menos duas Temporadas de Acesso por ano.
Caberá ao ONS definir a periodicidade e os cronogramas dos processos. As receitas obtidas nas disputas competitivas serão destinadas à modicidade tarifária, ou seja, contribuirão para reduzir os custos arcados pelos consumidores de energia.
A disputa ocorre em meio à discussão sobre o risco de a expansão dos data centers no Brasil pressionar a conta de luz. O governo federal avalia como atender ao consumo dessas cargas, aproveitando a oferta de energia renovável do país, sem elevar os custos para os demais consumidores.
No setor, porém, há divergências sobre o impacto desses investimentos nas tarifas de energia. Linha de transmissão de energia eletrica
Andre Prietsch/Divulgação
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